{"id":378,"date":"2018-08-28T15:21:59","date_gmt":"2018-08-28T18:21:59","guid":{"rendered":"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/?p=378"},"modified":"2018-08-28T15:21:59","modified_gmt":"2018-08-28T18:21:59","slug":"segunda-geracao-de-colonos-brasileiros-protagoniza-maior-conflito-da-era-cartes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/2018\/08\/28\/segunda-geracao-de-colonos-brasileiros-protagoniza-maior-conflito-da-era-cartes\/","title":{"rendered":"No Paraguai, brasileiros usam for\u00e7a policial para despejar comunidades inteiras"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1478\" aria-describedby=\"caption-attachment-1478\" style=\"width: 804px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1478 size-full\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/capilla.jpg\" alt=\"\" width=\"804\" height=\"536\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/capilla.jpg 804w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/capilla-300x200.jpg 300w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/capilla-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 804px) 100vw, 804px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1478\" class=\"wp-caption-text\">Casa destru\u00edda por policiais em Guahory: apenas S\u00e3o Jorge foi poupado (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>Ap\u00f3s o massacre de Curuguaty, em 2012, o Paraguai testemunhou uma explos\u00e3o de conflitos fundi\u00e1rios. Desde a posse de Horacio Cartes (2013-2018), a interfer\u00eancia do Estado paraguaio se deu, em regra, em favor de propriet\u00e1rios brasileiros, a quem o ent\u00e3o presidente convidou, em frase c\u00e9lebre: &#8220;<a href=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/2017\/11\/07\/cartes-a-brasileiros-usem-e-abusem-do-paraguai\/\">usem e abusem do Paraguai<\/a>&#8220;. O caso da Col\u00f4nia Guahory \u00e9 ilustrativo desse favorecimento.<\/p>\n<p>Desde 2015, as 250 fam\u00edlias que vivem no assentamento resistem a sucessivas \u2013 e violentas \u2013 reintegra\u00e7\u00f5es de posse realizadas pela pol\u00edcia a mando de fazendeiros brasileiros, que disputam a titularidade das terras. Localizada em Tembiapor\u00e1, no departamento de Caaguaz\u00fa, Guahory \u00e9 um assentamento de reforma agr\u00e1ria criado em 1985 pelo Instituto de Bienestar Rural (predecessor do Indert, <em>Instituto Nacional de Desarrollo Rural y de la Tierra<\/em>) a partir da divis\u00e3o de uma \u00e1rea de 2.400 hectares em 300 lotes individuais.<\/p>\n<p>Diferentemente de outros departamentos com grande incid\u00eancia de brasileiros, Caaguaz\u00fa n\u00e3o est\u00e1 na regi\u00e3o de fronteira com o Brasil. Foi sendo gradualmente ocupada pelos brasiguaios conforme as terras em Canindey\u00fa e Alto Paran\u00e1, com os quais faz divisa, foram se tornando mais valorizadas. Hoje, 32,1% dos t\u00edtulos de terra em Caaguaz\u00fa est\u00e3o em m\u00e3os brasileiras.<\/p>\n<p>O conflito entre os camponeses de Guahory e os \u201csojeiros\u201d brasileiros teve in\u00edcio em 2014, quando come\u00e7aram a surgir t\u00edtulos de terra reivindicando a propriedade de parte dos 1.200 hectares vinculados ao assentamento. De uma amostra de 102 t\u00edtulos analisados pelo Indert, 25 eram irregulares. Com anomalias graves: de documentos <a href=\"http:\/\/www.abc.com.py\/edicion-impresa\/economia\/colonos-de-guahory-tienen-titulos-pero-muchos-con-origen-ilegitimo-1519833.html\">sem assinatura<\/a> at\u00e9 registros realizados ap\u00f3s a restri\u00e7\u00e3o, em 2007, da outorga de terras p\u00fablicas a estrangeiros.<\/p>\n<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1479\" aria-describedby=\"caption-attachment-1479\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1479\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/julian-armando-dias-solis-telefuturo.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/julian-armando-dias-solis-telefuturo.jpg 550w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/julian-armando-dias-solis-telefuturo-300x182.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1479\" class=\"wp-caption-text\">Julian Armando D\u00edas Solis dirigiu esquema de outorga de terras a brasileiros. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Telefuturo)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>Segundo a <a href=\"http:\/\/www.baseis.org.py\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/INFORME-ESPECIAL-5-Acaparamiento-de-tierra-p%C3%BAblica.pdf\">Base Investigaciones Sociales<\/a>, essa sobreposi\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos \u00e9 fruto da corrup\u00e7\u00e3o de agentes estatais, que se aproveitam da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria na Regi\u00e3o Oriental, zona de expans\u00e3o da soja, para regularizar e depois revender lotes de reforma agr\u00e1ria, jogando-os no mercado privado de terras. \u00c9 o caso de Juli\u00e1n Armando D\u00edaz Sol\u00eds, funcion\u00e1rio do Indert, que titulou uma \u00e1rea total de 100 hectares em nome de <a href=\"http:\/\/www.paraguay.com\/nacionales\/tierras-de-guahory-en-manos-de-funcionario-de-indert-y-su-familia-152287\">parentes<\/a> para depois transferi-los a Jair Weber, o principal porta-voz dos brasiguaios no conflito contra os assentados em Guahory.<\/p>\n<p>Essa pr\u00e1tica gera uma verdadeira confus\u00e3o cartor\u00e1ria, onde se misturam uma maioria de colonos paraguaios \u2013 muitos deles aguardando h\u00e1 30 anos a regulariza\u00e7\u00e3o de suas terras \u2013 com os brasiguaios que adquiriram os lotes irregulares, com ou sem conhecimento, ou mesmo alguns poucos cidad\u00e3os brasileiros que participaram inicialmente do processo de reforma agr\u00e1ria, enquanto a pr\u00e1tica era permitida.<\/p>\n<h3>TERRORISMO DE ESTADO<\/h3>\n<p>O primeiro ataque \u00e0 comunidade ocorreu em 12 de fevereiro de 2015. Acatando o pedido de um sojicultor, os promotores Alfredo Mieres e Alfirio Gonz\u00e1lez, do distrito vizinho de Raul Arsenio Oviedo, ordenaram a expuls\u00e3o das 250 fam\u00edlias camponesas que viviam na Col\u00f4nia Guahory. A ordem foi cumprida por um destacamento de 400 policiais, que destruiu casas, m\u00e1quinas e planta\u00e7\u00f5es. A opera\u00e7\u00e3o foi <a href=\"http:\/\/ea.com.py\/v2\/denuncian-que-policias-brasilenos-participaron-de-desalojo-de-campesinos\/\">acompanhada<\/a> por fazendeiros brasileiros, que emprestaram seus tratores para derrubar as casas.<\/p>\n<p>A expuls\u00e3o n\u00e3o foi o bastante: 150 pessoas foram imputadas criminalmente por \u201cinvas\u00e3o de im\u00f3vel alheio\u201d. A criminaliza\u00e7\u00e3o da luta camponesa n\u00e3o \u00e9 novidade no Paraguai. Somente entre 2013 e 2015, a Base-IS contabilizou 43 casos de <a href=\"http:\/\/www.baseis.org.py\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/2016Agos_Judicializacio.pdf\">judicializa\u00e7\u00e3o<\/a> em conflitos agr\u00e1rios, onde 460 camponeses foram processados e 39 condenados.<\/p>\n<p>N\u00e3o se dando por vencidas, as fam\u00edlias reocuparam as pr\u00f3prias terras. Em 15 de setembro de 2016, nova ordem judicial e mais uma expuls\u00e3o. Dessa vez, empregando 1.200 agentes da Pol\u00edcia Nacional. Nos meses seguintes, para evitar que as fam\u00edlias \u2013 agora acampadas nas bordas do assentamento \u2013 voltassem \u00e0s suas terras, foram montados tr\u00eas postos policiais 24 horas. Um deles, em frente da escola b\u00e1sica Buen Jes\u00fas, causou a suspens\u00e3o das aulas. O motivo? Com medo dos policiais, as crian\u00e7as n\u00e3o iam mais \u00e0 escola.<\/p>\n<p>A desastrosa a\u00e7\u00e3o policial causou furor na opini\u00e3o p\u00fablica. At\u00e9 ent\u00e3o desconhecida, a Col\u00f4nia Guahory passou a ilustrar diariamente a capa dos principais jornais do pa\u00eds. Sob press\u00e3o, o governo despachou o vice-presidente para tentar mediar o conflito, mas defendeu a atua\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia. Durante a expuls\u00e3o, um dos colonos brasileiros gravou um <a href=\"http:\/\/www.paraguay.com\/nacionales\/desalojo-de-guahory-cartes-nos-autorizo-151157\">v\u00eddeo<\/a> onde justificou: \u201cCartes nos deu luz verde para fazer essa limpeza\u201d.<\/p>\n<h3>GOVERNO \u00c0 FAVOR DOS BRASIGUAIOS<\/h3>\n<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1485\" aria-describedby=\"caption-attachment-1485\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1485\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/08\/paraguai-guahory-elpueblo.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"539\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/08\/paraguai-guahory-elpueblo.jpg 960w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/08\/paraguai-guahory-elpueblo-300x168.jpg 300w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/08\/paraguai-guahory-elpueblo-768x431.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1485\" class=\"wp-caption-text\">Conflito em Guahory se tornou um s\u00edmbolo. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>Em maio de 2017, Cartes vetou projeto de lei que declarava de interesse p\u00fablico 924 hectares em Guahory, que seriam expropriados em favor do Indert. Por 37 votos a 4, o veto foi mantido pela C\u00e2mara dos Deputados. A oposi\u00e7\u00e3o, que <a href=\"http:\/\/www.abc.com.py\/edicion-impresa\/politica\/diputados-aceptan-veto-de-cartes-a-expropiacion-de-tierras-en-guahory-1633802.html\">abandonou<\/a> o plen\u00e1rio em protesto, acusou o governo de \u201cstrossnear\u201d o Paraguai. O neologismo se refere \u00e0 pr\u00e1tica, continuamente usada pelo ditador Alfredo Stroessner, de privilegiar propriet\u00e1rios brasileiros em detrimento dos camponeses paraguaios.<\/p>\n<p>No entanto, a lua de mel com os brasiguaios durou pouco: dois meses depois, gr\u00eamios patronais encabe\u00e7aram um <a href=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/2018\/08\/26\/cooperativas-encabecadas-por-brasileiros-protagonizaram-impeachment-de-lugo\/\">tractorazo<\/a> contra o aumento no imposto \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os n\u00e3o processados. O protesto contou com ades\u00e3o massiva de fazendeiros brasileiros.<\/p>\n<p>Enquanto isso, em Guahory, a tens\u00e3o aumentava. Duas semanas antes do veto oficial de Cartes, cerca de vinte fam\u00edlias se reuniram na escola local para tentar impedir um plantio de milho e foram atacadas com bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo por agentes do Grupo Especializado de Operaciones, unidade de elite da pol\u00edcia paraguaia. Os camponeses revidaram e o embate terminou com <a href=\"http:\/\/www.paraguay.com\/nacionales\/guahory-enfrentamiento-entre-policias-y-campesinos-deja-ocho-heridos-162434\">oito feridos<\/a>. Em junho, outro ataque com tratores destruiu casas, ainda prec\u00e1rias, que haviam sido erguidas gra\u00e7as a doa\u00e7\u00f5es e ao apoio de volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>Incapaz de resolver o n\u00f3 g\u00f3rdio criado em Guahory, que valeu uma den\u00fancia formal ante \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, o Indert ofereceu assentar os camponeses em Yh\u00fa, a 30 quil\u00f4metros da Col\u00f4nia Guahory, tamb\u00e9m em Caaguaz\u00fa. Das 120 fam\u00edlias que ainda persistiam no assentamento, apenas 27 aceitaram a proposta. Segundo lideran\u00e7as, as terras oferecidas pelo governo apresentavam p\u00e9ssima condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2017, camponeses acusaram o sojicultor Jair Weber, nascido no Paraguai e filho de brasileiros, de ordenar a <a href=\"http:\/\/www.nanduti.com.py\/2017\/01\/10\/mas-denuncias-contra-jair-weber-y-la-actuacion-de-la-policia-en-guajhory3\/\">tortura<\/a> de quatro mulheres e oito homens. Segundo Luciana Rodr\u00edguez, uma das v\u00edtimas, policiais levaram os camponeses \u00e0 casa de Weber. Ap\u00f3s o espancamento, o pai de Jair teria felicitado os policiais pelo \u201cbom trabalho\u201d.<\/p>\n<h3>PARAGUAIOS, &#8216;MAS COM DEFEITO&#8217;<\/h3>\n<p>Durante a s\u00e9rie De Olho no Paraguai mostramos recorrentemente a distin\u00e7\u00e3o entre o capital brasileiro, grandes empresas e propriet\u00e1rios que compram terras no Paraguai, mas seguem controlando seus neg\u00f3cios do Brasil, e os chamados brasiguaios, colonos oriundos do Sul do Brasil que migraram em busca de terras baratas e prosperaram no pa\u00eds vizinho. Duas metades de uma mesma invas\u00e3o territorial.<\/p>\n<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1486\" aria-describedby=\"caption-attachment-1486\" style=\"width: 657px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1486\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/08\/paraguai-guahory-policiais.jpg\" alt=\"\" width=\"657\" height=\"388\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/08\/paraguai-guahory-policiais.jpg 657w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/08\/paraguai-guahory-policiais-300x177.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 657px) 100vw, 657px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1486\" class=\"wp-caption-text\">Imagem recorrente: policiais em defesa dos brasileiros. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos investidores e especuladores, os colonos brasiguaios vivem no Paraguai. Mais que isso: asseguram que s\u00e3o paraguaios, \u201cmas com o <a href=\"http:\/\/www.abc.com.py\/edicion-impresa\/interior\/colonos-denuncian-que-viven-en-zozobra-constante-en-tembiapor-1338465.html\">defeito<\/a> de serem descendentes de brasileiros\u201d. E, por estarem na zona de conflito, est\u00e3o sujeitos \u00e0 rea\u00e7\u00e3o de um campesinato revoltado com as injusti\u00e7as sofridas.<\/p>\n<p>Os dois despejos consecutivos e a vigil\u00e2ncia policial levaram os camponeses de Guahory a mudar de estrat\u00e9gia. Apoiados pela Federaci\u00f3n Nacional Campesina (FNC), passaram a impedir o plantio e colheita dos colonos brasiguaios, em vez de tentar retomar as terras diretamente. A nova t\u00e1tica, que repercutiu negativamente na m\u00eddia paraguaia, resultou em mais confrontos.<\/p>\n<p>Em outubro de 2016, Jair Weber elevou o tom em entrevista ao jornal <a href=\"http:\/\/www.adndigital.com.py\/colonia-guahory-se-convierte-en-polvorin\/\">ADN<\/a>: \u201cN\u00f3s, agricultores, nos reunimos ontem e agora iremos com muita gente e vamos nos defender. Aqui vai ter morte, isso eu te asseguro, porque n\u00f3s n\u00e3o abandonaremos nossas terras\u201d. Dias antes, seu tratorista Vilmar Makus sofreu ferimentos leves ao ser atacado enquanto se preparava para iniciar o plantio de soja.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve morte. Mas a guerra pela Col\u00f4nia Guahory parece estar longe do fim. Em junho de 2018, ap\u00f3s camponeses voltarem a erguer casas na \u00e1rea em disputa, a Justi\u00e7a paraguaia expediu uma ordem judicial destacando <a href=\"https:\/\/www.ultimahora.com\/colonia-guahory-tension-presencia-policial-zona-conflicto-tierras-n1300019.html\">500 policiais<\/a> para proteger a prepara\u00e7\u00e3o do solo nas terras de propriet\u00e1rios brasileiros.<\/p>\n<h3>SEGURAN\u00c7AS DESPEJAM IND\u00cdGENAS<\/h3>\n<p>A 250 quil\u00f4metros de Guahory, no departamento de Canindey\u00fa, outro conflito envolvendo brasileiros mobilizou um forte aparato de seguran\u00e7a. Em vez de policiais, foram empregadas for\u00e7as paramilitares.<\/p>\n<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1489\" aria-describedby=\"caption-attachment-1489\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1489\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/08\/guarani-demo-paraguay.jpg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/08\/guarani-demo-paraguay.jpg 660w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/08\/guarani-demo-paraguay-300x167.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1489\" class=\"wp-caption-text\">Comunidade Aw\u00e1 Guarani atacada por guardas privados da Laguna S.A. (Foto: Conapi)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>O caso aconteceu no distrito de Corpus Christi, fronteira seca com Sete Quedas (MS). Ali est\u00e1 a Laguna S.A., empresa de capital brasileiro dona de 4.462 hectares, pertencente a Manfred Tadeu Peters e Detlef Andreas Manfred Peters. De S\u00e3o Paulo, Detlef administra os neg\u00f3cios por telefone. O nome vem da Laguna San Antonio, local sagrado da etnia Aw\u00e1 Guarani, cuja comunidade Y&#8217;apo &#8211; composta por 80 fam\u00edlias &#8211; j\u00e1 se encontrava na \u00e1rea quando a fazenda foi comprada.<\/p>\n<p>Em maio de 2014, o representante legal da Laguna S.A., David Morandini Ben\u00edtez, entrou na Justi\u00e7a de Salto del Guair\u00e1, distrito vizinho (na fronteira com Gua\u00edra, no Paran\u00e1), com um pedido de &#8220;interdi\u00e7\u00e3o de posse e obra nova&#8221;, uma figura jur\u00eddica que ret\u00e9m temporariamente uma propriedade em lit\u00edgio para deter a constru\u00e7\u00e3o de edifica\u00e7\u00f5es nessa \u00e1rea. Baseada nesse pedido, a ju\u00edza Silvia Cuevas ordenou a reintegra\u00e7\u00e3o de posse, cumprida por 300 policiais.<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas, aterrorizados, se refugiaram na floresta que rodeia a comunidade. Suas casas, pertences pessoais e a jerokyh\u00e1 &#8211; casa de reza &#8211; foram queimados. Frente \u00e0 resist\u00eancia dos ind\u00edgenas em sair de suas terras, a Laguna S.A. orquestrou uma nova incurs\u00e3o em junho. Mas dessa vez n\u00e3o eram agentes estatais. Os irm\u00e3os Peters contrataram a empresa de seguran\u00e7a privada Leo S.A. que, segundo <a href=\"http:\/\/www.forestpeoples.org\/sites\/fpp\/files\/news\/2014\/06\/Comunicado%20Red%20de%20DDHH.pdf\">depoimentos<\/a>, empregava policiais e militares licenciados.<\/p>\n<p>Sem autoriza\u00e7\u00e3o judicial e sem permiss\u00e3o para porte de armas de fogo, os guardas da Leo S.A. invadiram Y&#8217;apo e novamente expulsaram a comunidade. Oito ind\u00edgenas foram feridos na a\u00e7\u00e3o ilegal.<\/p>\n<p>Detlef Andreas Peters \u00e9 pecuarista em Paraibuna (SP). Em 2015, foi <a href=\"https:\/\/www.escavador.com\/processos\/19903264\/processo-0003085-7720038260587-do-diario-de-justica-do-estado-de-sao-paulo\">apelado<\/a> pela Justi\u00e7a do Estado de S\u00e3o Paulo em processo sobre \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente. Manfred Peters \u00e9 dono de fazenda em Sete Quedas, onde cria cavalos quarto de milha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segunda gera\u00e7\u00e3o de colonos brasileiros protagoniza conflito com camponeses em Caaguaz\u00fa; principal conflito da era Cartes, Guahory mobilizou milhares de policiais paraguaios em defesa dos brasiguaios; em Canindey\u00fa, empresa brasileira usa seguran\u00e7a privada para expulsar comunidade ind\u00edgena<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":369,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-378","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-relatos-de-uma-guerra","post_format-post-format-image"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=378"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/378\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/media\/369"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}