{"id":416,"date":"2017-11-28T19:33:27","date_gmt":"2017-11-28T21:33:27","guid":{"rendered":"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/?p=416"},"modified":"2018-12-06T11:57:07","modified_gmt":"2018-12-06T13:57:07","slug":"companhoni-do-mogno-no-brasil-ao-desmatamento-no-chaco-em-terra-dos-ayoreo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/2017\/11\/28\/companhoni-do-mogno-no-brasil-ao-desmatamento-no-chaco-em-terra-dos-ayoreo\/","title":{"rendered":"Companhoni: do mogno no Brasil ao desmatamento no Chaco, em terra dos Ayoreo"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_993\" aria-describedby=\"caption-attachment-993\" style=\"width: 745px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-993\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-umbu.jpg\" alt=\"\" width=\"745\" height=\"585\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-umbu.jpg 745w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-umbu-300x236.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 745px) 100vw, 745px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-993\" class=\"wp-caption-text\">Capa do Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental da empresa de Companhoni. (Imagem: Seam)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>Terceiro maior latifundi\u00e1rio brasileiro no Paraguai, o ga\u00facho Joici Luiz Companhoni tem sua vida empresarial movida pela madeira. Ele e sua fam\u00edlia vivem entre Maring\u00e1 (PR) e o departamento de Canindey\u00fa, do outro lado da fronteira com o Paran\u00e1. Ali e no Alto Paran\u00e1, somam 14 mil hectares. No departamento de Boquer\u00f3n, no extremo oeste do Chaco, possuem 40 mil hectares. Em territ\u00f3rio de \u00edndios isolados, os Ayoreo Totobiegosode. Essa expans\u00e3o passa tamb\u00e9m pelo Mato Grosso do Sul e tem no desmatamento uma de suas marcas.<\/p>\n<p>Os Ayoreo s\u00e3o o \u00fanico povo ind\u00edgena isolado da Am\u00e9rica do Sul que n\u00e3o vive na Amaz\u00f4nia. A <a href=\"https:\/\/www.survivalinternational.org\/news\/7580\">Survival<\/a> j\u00e1 apresentou ao Comit\u00ea de Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) um relato das amea\u00e7as ao povo origin\u00e1rio. E o caso da Ganadera Umbu &#8211; que tem 40 mil hectares em Boquer\u00f3n &#8211; \u00e9 emblem\u00e1tico. A empresa de Companhoni foi flagrada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico praticando crimes ambientais, em 2016. E prev\u00ea o desmatamento como fonte de renda, al\u00e9m de m\u00e9todo de expans\u00e3o pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>O brasileiro aparece em lista da Oxfam como 13\u00ba maior latifundi\u00e1rio no Paraguai, com 40 mil hectares. De Olho nos Ruralistas constatou que ele \u00e9 o terceiro brasileiro na lista: &#8220;<a href=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/2017\/11\/06\/proprietarios-brasileiros-tem-14-das-terras-paraguaias\/\">Propriet\u00e1rios brasileiros t\u00eam 14% das terras paraguaias<\/a>&#8220;. Mas soma agora mais 14 mil hectares, tamanho de suas propriedades na Regi\u00e3o Oriental. S\u00e3o 54 mil hectares, metade da \u00e1rea de Hong Kong, na China. Companhoni fica atr\u00e1s apenas de Marcelo Bastos Ferraz e de Tranquilo Favero &#8211; que ainda ter\u00e3o suas hist\u00f3rias contadas na s\u00e9rie <a href=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/\">De Olho no Paraguai<\/a>.<\/p>\n<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_995\" aria-describedby=\"caption-attachment-995\" style=\"width: 173px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-995\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-figueiredo.jpg\" alt=\"\" width=\"173\" height=\"224\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-995\" class=\"wp-caption-text\">Figueiredo com o general Samaniego, que repassou para brasileiro as terras no Chaco. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>Ele comprou suas terras do general paraguaio Adolfo Samaniego, um dos homens de confian\u00e7a de Alfredo Stroessner durante a ditadura (1954-1989) e ministro da Defesa de Andr\u00e9s Rodriguez, sucessor de Stroessner. Em 1983, embaixador no Brasil, tomava mate com o general Jo\u00e3o Baptista Figueiredo, \u00faltimo presidente da ditadura brasileira (1964-1985), seu amigo desde os anos 50. Figueiredo passava desde <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/brasil\/fc2305200005.htm\">1965<\/a>, a Stroessner, dados sobre os paraguaios que viviam no Brasil. Nesse ano Samaniego comandava a unidade militar de Presidente Stroessner, hoje Ciudad del Este.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 ind\u00edcios de que se trata de um t\u00edtulo inventado mediante uma altera\u00e7\u00e3o de dados no Registro P\u00fablico de Propriedades&#8221;, escreveu Marcos Glauser em um livro sobre estrangeiriza\u00e7\u00e3o de terras publicado em 2009 pela <a href=\"http:\/\/www.baseis.org.py\/base\/adjuntos\/libro-extranjerizacion.pdf\">Base Investigaciones Sociales<\/a> (Base-IS). &#8220;Aparentemente uma parte das terras do general Samaniego formava parte dos 150 mil hectares que Andr\u00e9s Rodr\u00edguez ofereceu a Lino Oviedo por seu apoio ao golpe de Estado em 1989&#8221;. O general Oviedo viveu no ex\u00edlio, no Brasil, entre 1999 e 2002.<\/p>\n<h3>A DESTRUI\u00c7\u00c3O DAS FLORESTAS<\/h3>\n<div class=\"col-fill\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_997\" aria-describedby=\"caption-attachment-997\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-997 size-full\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-chaco-2016-2015.png\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-chaco-2016-2015.png 1000w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-chaco-2016-2015-300x114.png 300w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-chaco-2016-2015-768x293.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-997\" class=\"wp-caption-text\">Varia\u00e7\u00e3o do desmatamento no Chaco em dez anos. (Fonte: Global Forest Watch)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>As terras de Companhoni ficam no distrito de Mariscal Estigarribia, no Boquer\u00f3n. N\u00e3o \u00e0 toa \u00e9 o munic\u00edpio que mais desmata no Grande Chaco, que se estende por Bol\u00edvia e Argentina. Somente em janeiro foram <a href=\"http:\/\/www.abc.com.py\/edicion-impresa\/economia\/en-el-chaco-deforestan-642-hectareas-por-dia-1587180.html\">13.520<\/a> hectares de desmatamento. Ou &#8220;desmonte&#8221;, como diz o \u00faltimo Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental da Ganaderia Umbu. Esse relat\u00f3rio, de abril de 2015, prev\u00ea explora\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria nas terras dos povos isolados. Com 13 mil hectares de pasto: o\u00a0<em>Panicum maximum<\/em>.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi o primeiro relat\u00f3rio de impacto ambiental da Umbu Pecu\u00e1ria. O de 2005 falava em pecu\u00e1ria &#8220;e extra\u00e7\u00e3o de madeira&#8221;. A ser aproveitada &#8220;quase totalmente como lenha e carv\u00e3o, al\u00e9m de algumas que possam ser industrializadas&#8221;. Tudo isso acompanhado do &#8220;desmonte&#8221; de 23.800 hectares de mata, a serem substitu\u00eddas por 18.852 cabe\u00e7as de gado Nelore e Brangus. Consequ\u00eancias, segundo Marcos Glauser: degrada\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, aumento da temperatura local, mais eros\u00e3o e saliniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pois bem: o desmatamento de 20 mil hectares na regi\u00e3o de Aguada Lidia foi efetivado. E quem mostra isso \u00e9 o pr\u00f3prio <a href=\"http:\/\/seam.gov.py\/sites\/default\/files\/users\/control\/ganadera_umbu_h%26h.pdf\">Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental<\/a> da empresa, em 2015. A parte de cima do mapa sobre o uso atual da terra <em>(abaixo)<\/em> mostra a \u00e1rea desmatada e utilizada, principalmente, para pasto. A parte de baixo mostra as florestas ainda preservadas. Em 2006, nada menos que 99,5% da propriedade (39.807 hectares) era composta de matas nativas, prim\u00e1rias.<\/p>\n<div class=\"col-fill\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_998\" aria-describedby=\"caption-attachment-998\" style=\"width: 540px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-998 size-full\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-umbu-rima.jpg\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-umbu-rima.jpg 540w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-umbu-rima-300x215.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-998\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Seam, Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental da Ganadera Umbu, abril de 2015.<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>Houve tamb\u00e9m impacto nos recursos h\u00eddricos da regi\u00e3o. Como se previa desde 2005. No ano passado o <a href=\"http:\/\/www.ministeriopublico.gov.py\/userfiles\/files\/publicaciones\/informe-de-gestion-2016.pdf\">Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/a> do Paraguai constatou, junto com um comit\u00ea de Direitos Ambientais, que o preparo do solo para as gram\u00edneas afeta as matas ciliares. E que a empresa n\u00e3o cumpriu as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o preservou \u00e1rvores. Por isso Joici Companhoni foi denunciado por delitos ambientais. \u201cComprovamos que h\u00e1 algum tempo se queimou o campo e foram retiradas todas as \u00e1rvores&#8221;, afirmou o procurador Andr\u00e9s Arriola ao <a href=\"http:\/\/www.abc.com.py\/edicion-impresa\/interior\/imputan-a-ganadero-por-no-cumplir-con-mitigacion-1488148.html\">ABC Color<\/a>.<\/p>\n<p>Nenhum dos dois Relat\u00f3rios de Impacto Ambiental da Ganadera Umbu entregues \u00e0 Secretaria do Ambiente &#8211; o minist\u00e9rio paraguaio do setor &#8211; faz refer\u00eancia ao povo Ayoreo Totobiegosode, apesar dos impactos ao seu habitat. O relat\u00f3rio de 2005 dizia n\u00e3o existir &#8220;nenhum risco para o bem estar da coletividade&#8221;. Pelo contr\u00e1rio, alega a empresa, pois o projeto pecu\u00e1rio significaria fonte de trabalho numa regi\u00e3o, a do Chaco Seco, &#8220;onde a vida devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u00e9 dif\u00edcil&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a mesma percep\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina. Na <a href=\"https:\/\/www.servindi.org\/node\/42238\">Declara\u00e7\u00e3o de Quito<\/a>, em 2007, o Comit\u00ea Ind\u00edgena Internacional para a Prote\u00e7\u00e3o dos Povos em Isolamento Volunt\u00e1rio e Contato Inicial da Amaz\u00f4nia e do Grande Chaco (Cipiaci) denunciava a inger\u00eancia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no tema e dizia que o desmatamento constitu\u00eda uma amea\u00e7a direta contra a vida, o territ\u00f3rio e a forma de vida dos Ayoreo, &#8220;que produzir\u00e1 um genoc\u00eddio e um etnoc\u00eddio&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00famero de trabalhadores do Chaco previstos no projeto de 2015 da Ganadera Umbu? Vinte e um.<\/p>\n<h3>AS FAZENDAS IMBU, NO BRASIL E PARAGUAI<\/h3>\n<p>Umbu e Imbu s\u00e3o duas varia\u00e7\u00f5es da mesma palavra, relativa ao fruto do umbuzeiro. Significa &#8220;\u00e1rvore que d\u00e1 de beber&#8221;. Umbu d\u00e1 nome \u00e0 empresa agropecu\u00e1ria dos Companhoni no Chaco. Imbu, \u00e0s fazendas. Imbu III, no caso do Boquer\u00f3n. Imbu I e II, na Regi\u00e3o Oriental. A Imbu I fica em Corpus Christi, onde Joici tem resid\u00eancia, no departamento de Canindey\u00fa. Ele \u00e9 vizinho do senador colorado Bras Riquelme. A Imbu II fica em Itakyry, no Alto Paran\u00e1. Ambas est\u00e3o aptas a exportar para o Chile, principal mercado da carne paraguaia.<\/p>\n<p>S\u00e3o essas duas fazendas que somam 14 mil hectares &#8211; uma enormidade nesse extremo leste do Paraguai, ocupado por colonos brasileiros.<\/p>\n<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1005\" aria-describedby=\"caption-attachment-1005\" style=\"width: 958px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1005 size-full\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-fmc03.jpg\" alt=\"\" width=\"958\" height=\"732\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-fmc03.jpg 958w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-fmc03-300x229.jpg 300w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-fmc03-768x587.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 958px) 100vw, 958px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1005\" class=\"wp-caption-text\">Fabiano Martins Companhoni \u00e9 o sucessor do pai no Paraguai. (Reprodu\u00e7\u00e3o: Facebook)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>No Brasil ainda existe a Fazenda Imbu, em Amamba\u00ed (MS), em nome do esp\u00f3lio de Antonio Companhoni. Ela j\u00e1 esteve no nome do irm\u00e3o Joici Companhoni e de sua mulher, Maria Helena Companhoni, como mostra um processo trabalhista de 1999. O casal, por sua vez, \u00e9 s\u00f3cio na Imbumar Madeiras. E foi s\u00f3cio da Imbu Madeiras, desativada, com atividade em Navira\u00ed (MS). Os munic\u00edpios de Amamba\u00ed e Navira\u00ed, no sul do estado, ocupam \u00e1rea tradicional do povo Guarani Kaiow\u00e1, em territ\u00f3rio que at\u00e9 a Guerra da Tr\u00edplice Fronteira era do Paraguai.<\/p>\n<p>A Imbupisos Exportadora e Importadora est\u00e1 no nome de Fabiano e Luciana Companhoni. A irm\u00e3 deles, Juliana, s\u00f3cia com eles na FLJ Administradora de Bens (de Fabiano, Luciana e Juliana), \u00e9 advogada, como o pai. \u00c9 o zootecnista Fabiano quem d\u00e1 continuidade aos projetos de Joici. Ele mant\u00e9m no Paraguai &#8211; mora em Curuguaty &#8211; a Ganadera Roots, que tem como marca as iniciais de seu nome, Fabiano Martins Companhoni, FMC. Ela est\u00e1 nos bois e nos caminh\u00f5es do grupo.<\/p>\n<p>Somente a holding FLJ n\u00e3o tem &#8220;imbu&#8221; no nome. A base de todas essas empresas \u00e9 Maring\u00e1, nos mesmos endere\u00e7os. Mas mesmo uma empresa que Joici Companhoni tinha no exterior teve essa caracter\u00edstica: a <a href=\"http:\/\/flcompanydb.com\/company\/P04000146174\/imbufloor-inc.html\">Imbufloor Inc.<\/a>, sociedade dele com Maria I. Marin, em Miami, nos Estados Unidos. Ela, por sua vez, \u00e9 s\u00f3cia de Ariel J. Marin, chefe do escrit\u00f3rio da Wells Fargo &#8211; onde tamb\u00e9m \u00e9 vice-presidente s\u00eanior &#8211; na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. Os dois s\u00e3o donos da <a href=\"https:\/\/www.arimarwood.com\/\">Arimar International<\/a>, importadora de madeira que ela fundou ap\u00f3s uma visita a Curitiba.<\/p>\n<div class=\"col-fill\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1002\" aria-describedby=\"caption-attachment-1002\" style=\"width: 893px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1002\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-imbupisos.jpg\" alt=\"\" width=\"893\" height=\"593\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-imbupisos.jpg 893w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-imbupisos-300x199.jpg 300w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-imbupisos-768x510.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 893px) 100vw, 893px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1002\" class=\"wp-caption-text\">Empresa dos Companhoni exporta para EUA e Canad\u00e1. (Fonte: Import Genius)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>A Imbumar Madeiras j\u00e1 exportou produtos para os Estados Unidos, do Porto de Itaja\u00ed (SC) para o Porto de Nova Jersey, para a <a href=\"https:\/\/cn.panjiva.com\/Imbumar-Madeiras-Ltda\/1499846\">Berry Woods Products<\/a>, que fechou suas portas no Alabama em 2010. A Imbupisos exportou jatob\u00e1 para a canadense <a href=\"https:\/\/www.importgenius.com\/importers\/kultur-flooring\">Kultur Flooring<\/a>, passando por Nova Jersey, a partir do Porto de Paranagu\u00e1 (PR). E mais jatob\u00e1 para a estadunidense <a href=\"http:\/\/en.52wmb.com\/supplier\/5056876\">Brazilian Tinder Imports<\/a>, a partir de Itaja\u00ed.<\/p>\n<h3>NOS ANOS 2000, MOGNO ILEGAL<\/h3>\n<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1009\" aria-describedby=\"caption-attachment-1009\" style=\"width: 169px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1009\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-mogno.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"220\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1009\" class=\"wp-caption-text\">Mogno exportado por empresas paranaenses foi s\u00edmbolo de devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. (Foto: Greenpeace)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>Um relat\u00f3rio do Greenpeace, de 2001, mostra que Joici Companhoni era um dos vendedores de mogno na virada do s\u00e9culo. A madeira &#8211; muito utilizada em viol\u00f5es e guitarras &#8211; tornou-se s\u00edmbolo da devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. O relat\u00f3rio (em ingl\u00eas) &#8220;<a href=\"http:\/\/www.greenpeace.org\/wp-content\/uploads\/legacy\/Global\/usa\/report\/2010\/2\/u-s-companies-purchasing-bigl.pdf\">Parceiros no Crime do Mogno<\/a>&#8221; enumera as empresas estadunidenses que mais importavam o produto, o &#8220;ouro verde&#8221;. Por exemplo, a bicenten\u00e1ria J. Gibson McIlvain Company, a JGM, de 1798, comprava madeiras de tr\u00eas fontes brasileiras: uma no distrito de Icoaraci, em Bel\u00e9m; outra, a Red Madeiras Tropicais Ltda; outra, a Imbumar Madeiras.<\/p>\n<p>O propriet\u00e1rio da Red Madeiras Tropicais voltou \u00e0 cena em 2017: ele foi um dos alvos das pris\u00f5es preventivas da <a href=\"http:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vida-publica\/deputado-estadual-teria-negocios-com-rede-de-empresas-ligada-ao-chefe-da-carne-fraca-08jax7iwc0i8c03eu0ma5apif\">Opera\u00e7\u00e3o Carne Fraca<\/a>, em Curitiba, que investigou um esquema de libera\u00e7\u00e3o ilegal de carne, envolvendo fiscais, pol\u00edticos e empresas. Antigo s\u00f3cio da F\u00eanix Fertilizantes, <a href=\"http:\/\/politica.estadao.com.br\/blogs\/fausto-macedo\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/03\/DECIS%C3%83O-PARTE-2.pdf.pdf\">Perito Garcia<\/a> chamava Daniel Gon\u00e7alves Filho &#8211; ex-superintendente do Minist\u00e9rio da Agricultura no Paran\u00e1 e um dos piv\u00f4s do esquema &#8211; de &#8220;irm\u00e3o&#8221;, &#8220;compadre&#8221; e &#8220;padrinho&#8221;.<\/p>\n<h3>NA REGI\u00c3O ORIENTAL, CONFLITOS<\/h3>\n<p>Este eixo da s\u00e9rie De Olho no Paraguai, <a href=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/tema\/invasores-do-chaco\/\">Invasores do Chaco<\/a>, trata dos conflitos envolvendo latifundi\u00e1rios brasileiros na Regi\u00e3o Ocidental. Mas Joici Companhoni, como vimos, atua tamb\u00e9m na Regi\u00e3o Oriental, nas fazendas Imbu I e Imbu II, nos departamentos de Canindey\u00fa e Alto Paran\u00e1. H\u00e1 dois anos, em 2015, a tens\u00e3o em uma dessas propriedades chegou a um est\u00e1gio maior.<\/p>\n<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1007\" aria-describedby=\"caption-attachment-1007\" style=\"width: 657px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1007 size-full\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-imbu1.jpg\" alt=\"\" width=\"657\" height=\"388\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-imbu1.jpg 657w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/11\/paraguai-imbu1-300x177.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 657px) 100vw, 657px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1007\" class=\"wp-caption-text\">Na Regi\u00e3o Oriental, conflitos com camponeses. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>Em Imbu II, no distrito de Itakyry, entre 10 e 40 pessoas &#8220;com rifles e escopetas&#8221;, pela descri\u00e7\u00e3o dos jornais paraguaios, entraram na fazenda e queimaram o rancho dos funcion\u00e1rios. Na fazenda vizinha, a Lapacho, impediram Leomar Machado, que despejava agrot\u00f3xicos de cima de um trator, de trabalhar. O relato policial e dos jornais diz que ele ficou &#8220;ref\u00e9m&#8221; dos ocupantes &#8211; supostamente, camponeses. Segundo o jornal <a href=\"http:\/\/www.ultimahora.com\/retienen-colono-y-queman-retiro-una-estancia-alto-parana-n950695.html\">\u00daltima Hora<\/a>, essa propriedade tem 4 mil hectares.<\/p>\n<p>O jornal <a href=\"http:\/\/www.abc.com.py\/nacionales\/queman-precario-retiro-y-retienen-a-tractorista-1433825.html\">ABC Color<\/a> deu mais detalhes sobre o epis\u00f3dio e seu contexto. Atr\u00e1s da Imbu II e da Lapacho, na col\u00f4nia Santa Luc\u00eda, ficam acampados camponeses que reivindicam t\u00edtulos de terra ao Instituto de Desarrollo Rural y de la Tierra (Indert). Eles seriam antigos &#8220;carperos&#8221; (sem-terra que vivem em <em>carpas<\/em>, barracas) de \u00d1acunday, distrito no Alto Paran\u00e1. Os dirigentes Juan Noguera e Castorino Insfr\u00e1n chegaram a ser <a href=\"http:\/\/www.entornointeligente.com\/articulo\/7866045\/Dirigentes-de-Santa-Luciacute;a-a-la-caacute;rcel\">presos<\/a> e levados a uma penitenci\u00e1ria de Ciudad del Este. A Imbu II fica ao lado da comunidade ind\u00edgena Jukyry, do Povo Aw\u00e1 Guarani.<\/p>\n<p>Esse territ\u00f3rio ind\u00edgena est\u00e1 h\u00e1 anos em disputa com o territ\u00f3rio da soja. Em 2005, dois brasileiros tentaram expulsar os Guarani do local, com a ajuda da pol\u00edcia: Esteban Serrati e Evaldo Hirch, arrendat\u00e1rios das terras que seriam de <a href=\"http:\/\/www.abc.com.py\/edicion-impresa\/interior\/indigenas-denuncian-atropello-amenaza-de-muerte-y-tortura-730251.html\">Alfredo Sebasti\u00e1n Jaeggli<\/a>, filho do senador Alfredo Jaeggli.\u00a0Os ind\u00edgenas denunciaram despejo, amea\u00e7a de morte e tortura. Serrati e Jaeggli voltaram ao notici\u00e1rio em <a href=\"http:\/\/www.abc.com.py\/edicion-impresa\/politica\/con-datos-falsos-se-invento-una-finca-que-luego-se-vendio-a-obras-publicas-1120166.html\">2008<\/a>, acusados de vender ao Departamento de Obras P\u00fablicas uma fazenda sem t\u00edtulo, inventada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madeireiro ga\u00facho tem 40 mil hectares em Boquer\u00f3n, comprados de um general paraguaio em territ\u00f3rio de \u00edndios isolados, e 14 mil hectares na Regi\u00e3o Oriental; fam\u00edlia tem fazenda no MS e exporta madeira para EUA e Canad\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":989,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-416","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-invasores-do-chaco","post_format-post-format-image"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=416"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1571,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416\/revisions\/1571"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/media\/989"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}