{"id":440,"date":"2017-11-08T18:37:50","date_gmt":"2017-11-08T20:37:50","guid":{"rendered":"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/?p=440"},"modified":"2018-11-29T17:54:48","modified_gmt":"2018-11-29T19:54:48","slug":"no-seculo-19-matte-larangeira-teve-2-milhoes-de-hectares-no-paraguai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/2017\/11\/08\/no-seculo-19-matte-larangeira-teve-2-milhoes-de-hectares-no-paraguai\/","title":{"rendered":"No S\u00e9culo 19, Matte Larangeira teve 2 milh\u00f5es de hectares no Paraguai"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_688\" aria-describedby=\"caption-attachment-688\" style=\"width: 598px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-688 size-full\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/Matte-Larangeira-Arquivo-P\u00fablico-Estadual-de-Mato-Grosso-do-Sul.jpg\" alt=\"\" width=\"598\" height=\"974\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/Matte-Larangeira-Arquivo-P\u00fablico-Estadual-de-Mato-Grosso-do-Sul.jpg 598w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/Matte-Larangeira-Arquivo-P\u00fablico-Estadual-de-Mato-Grosso-do-Sul-184x300.jpg 184w\" sizes=\"auto, (max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-688\" class=\"wp-caption-text\">Condi\u00e7\u00f5es de trabalho nos ervais da Companhia Matte Larangeira (Foto: Arquivo P\u00fablico Estadual de Mato Grosso do Sul)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>Logo ap\u00f3s a Guerra da Tr\u00edplice Alian\u00e7a (1864-1870), uma companhia brasileira teve 1.902.800 hectares \u2013 quase o tamanho de Israel &#8211; em terras paraguaias. Para a produ\u00e7\u00e3o de erva-mate, a Companhia Matte Laranjeira utilizava a m\u00e3o de obra de camponeses paraguaios e ind\u00edgenas da etnia Guarani-Kayow\u00e1.<\/p>\n<p>Eles eram proibidos de deixar os ervais, tendo seu \u201cpagamento\u201d efetuado em mercadorias do armaz\u00e9m da <a href=\"http:\/\/anais.anpuh.org\/wp-content\/uploads\/mp\/pdf\/ANPUH.S22.077.pdf\">Companhia<\/a>. Essa condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o gravou marcas profundas na hist\u00f3ria da fronteira entre Paraguai e do atual estado do Mato Grosso do Sul. A ponto de estar na raiz do atual genoc\u00eddio impetrado contra os Guarani-Kayow\u00e1.<\/p>\n<p>A empresa surgiu no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1880 ap\u00f3s seu fundador, Thomaz Larangeira, tomar parte na miss\u00e3o demarcat\u00f3ria que redefinia a fronteira seca entre Brasil e Paraguai. Como resultado da guerra, o Paraguai vivia um estado de pen\u00faria. Larangeira vislumbrou a oportunidade de adquirir, a pre\u00e7os irris\u00f3rios, extensos volumes de terra para a explora\u00e7\u00e3o da erva.<\/p>\n<p>Enquanto consolidava suas propriedades paraguaias, o empres\u00e1rio valeu-se de sua influ\u00eancia pol\u00edtica junto \u00e0 fam\u00edlia Murtinho, ent\u00e3o uma das principais oligarquias do Centro-Oeste brasileiro, para receber do governo imperial o direito de explora\u00e7\u00e3o da erva-mate no sul do Mato Grosso.<\/p>\n<p>A incorpora\u00e7\u00e3o dos Murtinho como s\u00f3cios da empresa inaugurou uma s\u00e9rie de amplia\u00e7\u00f5es \u00e0 concess\u00e3o original, que culminou no arrendamento de mais de 5 milh\u00f5es de hectares em terras devolutas da Uni\u00e3o \u2013 ainda hoje uma cifra recorde \u2013 e no monop\u00f3lio da explora\u00e7\u00e3o de erva-mate no Brasil.<\/p>\n<h3>ESTADO NOVO: CONFLITO COM POSSEIROS<\/h3>\n<p>Durante seu auge, a Companhia Matte Larangeira exportou, via Paraguai e livre de impostos, <a href=\"http:\/\/www.ppghis.com\/territorios&amp;fronteiras\/index.php\/v03n02\/article\/view\/336\">5 mil toneladas ao ano<\/a> de erva-mate para a Argentina. Para escoar sua produ\u00e7\u00e3o, a empresa construiu \u00e0s margens do Rio Paraguai o munic\u00edpio de Porto Murtinho.<\/p>\n<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_691\" aria-describedby=\"caption-attachment-691\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-691\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/Embarque-de-erva-mate-em-Porto-Murtinho-Reprodu\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"489\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/Embarque-de-erva-mate-em-Porto-Murtinho-Reprodu\u00e7\u00e3o.jpg 640w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/Embarque-de-erva-mate-em-Porto-Murtinho-Reprodu\u00e7\u00e3o-300x229.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-691\" class=\"wp-caption-text\">Embarque de erva-mate em Porto Murtinho (Foto: &#8211; Arquivo P\u00fablico Estadual de Mato Grosso do Sul)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 30, a pol\u00edtica de \u201ccoloniza\u00e7\u00e3o\u201d promovida pelo Estado Novo (1930-1945), a Marcha para o Oeste, colocou a Matte Larangeira em rota de colis\u00e3o com os posseiros oriundos do Sul, estimulados pelo governo de Get\u00falio Vargas a ocupar terras no sul do Mato Grosso, onde a empresa detinha o monop\u00f3lio dos ervais.<\/p>\n<p>A derrocada da empresa come\u00e7ou com a n\u00e3o-renova\u00e7\u00e3o das antigas concess\u00f5es e com a cria\u00e7\u00e3o do Territ\u00f3rio Federal de Ponta Por\u00e3, em 1943. E culminou com a suspens\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es de erva-mate pela Argentina, em 1966. Era o fim da primeira grande incurs\u00e3o brasileira em terras paraguaias.<\/p>\n<h3>COM SOLANO, TERRAS NACIONALIZADAS<\/h3>\n<p>Como um pa\u00eds de urbaniza\u00e7\u00e3o tardia, cuja popula\u00e7\u00e3o urbana s\u00f3 viria a <a href=\"http:\/\/www.abc.com.py\/articulos\/poblaciones-urbanas-y-rurales-de-america-867746.html\">ultrapassar a popula\u00e7\u00e3o rural <\/a>camponesa em 1992, o Paraguai tem na propriedade e no uso da terra o elemento central de seu desenvolvimento econ\u00f4mico e social. A luta pela terra torna-se um fio condutor para compreender a hist\u00f3ria paraguaia.<\/p>\n<p>Durante a Guerra da Tr\u00edplice Alian\u00e7a \u2013 popularmente conhecida no Paraguai como Guerra Guas\u00fa, ou Guerra Grande \u2013 as for\u00e7as de Brasil, Argentina e Uruguai empreenderam uma campanha contra a Rep\u00fablica comandada pelo Marechal Francisco Solano L\u00f3pez.<\/p>\n<p>Desde sua independ\u00eancia, em 1811, o Paraguai desenvolvia um projeto de na\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma e economicamente independente do emergente imperialismo brit\u00e2nico. Essa autonomia tinha como pilar a nacionaliza\u00e7\u00e3o das terras: as <a href=\"http:\/\/rosaluxspba.org\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/2014Dic_LaMmetamorfosis.pdf\">\u201cEstancias de la Patria\u201d<\/a> eram baseadas na livre ocupa\u00e7\u00e3o pelos camponeses. Eles produziam alimentos para subsist\u00eancia, erva-mate e tabaco.<\/p>\n<p>Brasil e Argentina impuseram ao Paraguai um isolamento geogr\u00e1fico, comercial e pol\u00edtico. Com isso o pa\u00eds teve um processo de industrializa\u00e7\u00e3o precoce. Foram instalados estaleiros, fundi\u00e7\u00f5es, olarias e ferrovias. Foi esta a causa \u00faltima da guerra financiada pelo Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico contra o projeto independente paraguaio.<\/p>\n<p>Vieram uma cat\u00e1strofe social e a completa aniquila\u00e7\u00e3o da infraestrutura econ\u00f4mica do pa\u00eds. Uma \u00e1rea de 63.325 km\u00b2 (6,3 milh\u00f5es de hectares, o tamanho da Let\u00f4nia) entre os rios Apa e Blanco foi incorporada ao estado do Mato Grosso por meio do do Tratado de Cotegipe. Outros 95 000 km\u00b2 no Chaco Boreal foram reclamados pela Argentina.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-690\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/info5-edit.png\" alt=\"Veja de que pa\u00edses s\u00e3o as grandes corpora\u00e7\u00f5es que mais adquirem propriedades no Paraguai\" width=\"1206\" height=\"1320\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/info5-edit.png 1206w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/info5-edit-274x300.png 274w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/info5-edit-768x841.png 768w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/info5-edit-936x1024.png 936w\" sizes=\"auto, (max-width: 1206px) 100vw, 1206px\" \/><\/p>\n<p>Com isso as \u201cEstancias de la Patria\u201d foram privatizadas em favor de grupos empresariais dos pa\u00edses vencedores: 5.625.000 hectares no Chaco ficaram com a empresa de capital anglo-argentino Carlos Casado S.A.; 2.137.500 hectares na regi\u00e3o Oriental com outra argentina, La Industrial Paraguaya S.A.. E a Companhia Matte Larangeira abocanhou seus 1.902.800 hectares.<\/p>\n<div class=\"col-right\"><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_687\" aria-describedby=\"caption-attachment-687\" style=\"width: 266px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-687 size-full\" src=\"http:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/Bar\u00e3o-de-Mau\u00e1.jpg\" alt=\"\" width=\"266\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/Bar\u00e3o-de-Mau\u00e1.jpg 266w, https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/Bar\u00e3o-de-Mau\u00e1-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 266px) 100vw, 266px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-687\" class=\"wp-caption-text\">An\u00fancio da Liebig\u2019s Extract of Meat Company (Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<h3>A EMPRESA CRIADA PELO BAR\u00c3O DE MAU\u00c1<\/h3>\n<p><span class=\"_5yl5\">Apesar de ser reconhecido como um dos principais opositores da Guerra da Tr\u00edplice Alian\u00e7a, Irineu Evangelista de Souza (1813-1889) ajudou a criar, em 1865, uma empresa beneficiada por essas mudan\u00e7as. S\u00f3 que ele j\u00e1 tinha falecido quando a brit\u00e2nica Liebig\u2019s Extract of <\/span><span class=\"_5yl5\">Meat Company adquiriu, a partir de 1898, <a href=\"http:\/\/biblioteca.clacso.edu.ar\/gsdl\/collect\/py\/py-001\/index\/assoc\/D12609.dir\/pdf_1239.pdf\">93.744 hectares no Chaco paraguaio<\/a><\/span><\/p>\n<p><span class=\"_5yl5\">A Liebig&#8217;s foi um frigor\u00edfico e companhia agropecu\u00e1ria &#8211; atuante no Uruguai, como Irineu &#8211; que levava o nome do bar\u00e3o alem\u00e3o Justus von Liebig (1803-1873), um dos pioneiros da qu\u00edmica org\u00e2nica e descobridor do extrato de carne<\/span>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produtora de erva-mate foi o primeiro grupo empresarial brasileiro a explorar terras paraguaias, explorando m\u00e3o de obra de ind\u00edgenas Guarani-Kaiow\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":840,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-440","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-subimperio","post_format-post-format-image"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=440"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1562,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440\/revisions\/1562"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/media\/840"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/deolhonoparaguai\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}