Ciro Gomes defende incentivo à produção nacional de agrotóxicos

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Discurso nacionalista do candidato aplica-se à agropecuária; ele defende financiamento, pelo BNDES, a empresas que cumpram metas de exportação e emprego, com juros menores para quem proteja o ambiente

Por Leonardo Fuhrmann

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) defende, em seu programa de governo, que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dê prioridade no financiamento para empresas que cumprirem metas de exportação, inovação, competitividade e geração de emprego. Pela proposta, o banco teria taxas de juros menores para quem investir em inovação e proteção do meio ambiente.

Candidato defende substituição de importações. (Foto: Reprodução)

Ainda com relação a planos econômicos para o meio rural, o pedetista defende um estímulo à produção de bens com maior valor agregado, não somente commodities. Ele também quer expansão da competitividade para o setor. Além do agronegócio, o presidenciável afirma que vai apoiar a agricultura familiar.

Com discurso mais veemente contra o sistema financeiro, alinhando-se nesse ponto mais à esquerda, Ciro Gomes costuma dizer – em outro tipo de alinhamento político – que o agronegócio e a mineração são setores importantes para o crescimento do país. “O agronegócio está carregando o Brasil nas costas”, disse.

Não à toa, ele escolheu como vice a senadora Kátia Abreu (PDT-TO), ministra da Agricultura durante o governo Dilma Rousseff e ex-presidente da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA). A política tem uma atuação controversa no campo, como se pode ver em uma das reportagens da série De Olho na Bancada Ruralista: ” Filho de Kátia Abreu, deputado Irajá disputa no Tocantins a vaga da mãe no Senado“.

CANDIDATO DEFINIU OCUPAÇÕES COMO ‘SELVAGERIA’

Para a política de alimentos, Ciro defende um incentivo maior à produção de defensivos – ou seja, agrotóxicos – dentro do país. Esses pesticidas seriam mais adaptados às culturas nacionais e menos tóxicos ao meio ambiente e às pessoas.

O ex-governador cearense fala em conciliar os interesses econômicos com os ambientais no ordenamento do uso e ocupação do solo e no desenvolvimento de ecossistemas sustentáveis. Defende também estratégias de redução do desmatamento e adoção de energias renováveis.

Kátia Abreu presidiu a CNA. (Foto: Agência Brasil)

O candidato não citou a reforma agrária em seu programa de governo. Em maio, durante uma sabatina, ele classificou a ocupação de terras produtivas como “selvageria”:

– Invasão de terra produtiva é um indicador de selvageria e de incapacidade jurídica do Estado de Direito democrático de se fazer respeitado. Invasão de terra é tão selvagem quanto você impedir que trabalhadores que querem ter acesso à terra não consigam ainda em pleno século 21.

Por outro lado, o pedetista chegou a bater boca com o presidente da Federação Agrícola do Rio Grande do Sul (Farsul), a quem acusou de “reacionarismo doentio”, durante a Expointer. Ele também lembrou que Kátia se tornou persona non grata dentro da CNA por ter se posicionado contra o impeachment de Dilma Rousseff e classificou a atual direção da entidade como “fascista”.

Ciro defende mais celeridade no processo de demarcação de territórios de comunidades tradicionais, com programas específicos de saúde, educação e permanência na terra.

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