Suplente de Major Olímpio não declarou empresa de R$ 2,43 milhões à Justiça Eleitoral

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É ele quem assume o cargo deixado pelo senador, vítima fatal da Covid-19; Alexandre Giordano tentou negociar privilégios para empresas amigas em Itaipu e coleciona outras irregularidades, como a invasão de terreno na Grande São Paulo

Por Luís Indriunas

Com a morte por Covid-19 do senador Major Olímpio (PSL-SP) aos 58 anos, tomará posse em seu lugar seu primeiro suplente, Alexandre Luiz Giordano (PSL-SP). Conhecido por sua atuação nos bastidores do poder e dos negócios, Giordano omitiu de sua declaração à Justiça Eleitoral a empresa Giordano Empreendimentos e Participações, com um capital social de R$ 2,43 milhões e aberta um ano antes das eleições de 2018. A atividade da empresa é a compra e venda de imóveis próprios. O endereço da empresa é o condomínio residencial Fazenda Silvano, em Morungaba, São Paulo.

Os dados entregues por Giordano ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam um patrimônio bem mais tímido: R$ 1,53 milhão, a maior parte relacionada ao setor da mineração. Ele atesta participação na Família Giordano Indústria e Comércio Ltda., que vende estruturas metálicas, na IBEF – Indústria Brasileira de Estruturas de Ferro Ltda, na Multimineração – Extração de Minérios Ltda e na Lobel Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Metais Ltda.

Eleito em 2018, na esteira do bolsonarismo, Major Olímpio defendia a venda de terras indígenas para empresas de mineração.

Entre os bens pessoais listados por Giordano estão duas motos aquáticas, cujos valores totalizam R$ 655 mil. Além disso, o empresário costuma circular de rolex e roupas de grifes caras por Brasília e adora alugar um helicóptero.

CRISE RELACIONADA À ITAIPU QUASE DERRUBOU PRESIDENTE DO PARAGUAI

Já investido do cargo de primeiro suplente do Senado, Giordano foi o pivô de uma crise envolvendo o governo paraguaio que quase derrubou o presidente paraguaio Mario Abdo Benítez, o Itaipu Gate.

Giordano usou o nome de Bolsonaro para conseguir vantagens em Itaipu. (Foto: Instagram)

Em 2019, Giordano viajou duas vezes para o país para negociar a venda de energia excedente da usina de Itaipu com exclusividade para seus aliados empresariais Kléber Ferreira e Adriano Tadeu Deguirmendjian, proprietários do grupo Léros, uma empresa que negocia energia. Os sócios abriram, quatro dias antes das eleições em 2018, uma offshore com sede no Panamá.

Nas trocas de mensagens e nas reuniões, Giordano usou o nome do presidente Bolsonaro para conseguir vantagens indevidas, conforme noticiaram os jornais da época.  Em uma das ocasiões, em 11 de abril de 2019, o próprio Major Olímpio esteve no Paraguai. Na época, o senador falecido disse não saber o que Giordano fazia no país e que ele foi apenas participar de um tal Encontro de Católicos com Responsabilidade Políticas.

Nesse caso, ao contrário da empresa imobiliária, Giordano teve o cuidado de tentar evitar se vincular oficialmente nas negociações, mas deixou rastros que mostram seu interesse particular.

Proprietário da Enermade Empresa Brasileira de Bioenergia, o futuro senador retirou seu nome da sociedade em 16 de abril de 2018, dez dias depois da filiação no PSL. Para manter tudo em família, emancipou seu filho Lucca Giordano, então com 17 anos, para torna-lo único sócio da empresa, cujo endereço é o mesmo do diretório do PSL na capital paulista.

A Enermade tem como atividade principal o comércio varejista de materiais de construção e outras 4o atividades secundárias, que vão de coleta de resíduos à venda de energia no varejo. Em nome dessa empresa, Giordano se reuniu em 28 de julho de 2018 com o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB).

Em 2019, A Pública ouviu empresários e ex-sócios de Giordano que o definiram como “vendedor de fumaça”.

Giordano tem uma lista de processos na Justiça envolvendo as várias empresas que teve ao longo dos seus 47 anos. Em 1996, ele abriu a Jungle’s Dance Bar, uma danceteria na Serra da Cantareira, na Grande São Paulo, mas o estabelecimento não tinha alvará definitivo e funcionou por poucos meses.

Por duas vezes, Giordano foi alvo de uma ação de reintegração de posse por ocupar indevidamente um terreno vizinho ao galpão de uma de suas empresas, nas margens da Rodovia Fernão Dias, na zona norte de São Paulo. A denúncia informa que ele construiu um estacionamento, uma edificação de pequeno porte e um heliponto no terreno vizinho, em 2003. Na ocasião, foi acusado de crime contra a flora e multado. A primeira reintegração é de março de 2004. Em junho de 2009, a área foi novamente invadida.

O empresário já foi cobrado por um pedreiro por não pagar uma obra de R$ 11 mil em uma de suas empresas. Em 2010, a Justiça mandou leiloar seu sítio de 42 mil m² em Mairiporã (SP), para que ele honrasse a dívida contraída com a compra de outro terreno, de R$ 340 mil, que não foi pago totalmente.

AMIGO HÁ DEZ ANOS DE MAJOR OLÍMPIO, GIORDANO JÁ FOI FILIADO AO PSDB

Giordano reunido com Bruno Covas, do qual ele diz ser amigo. (Secom/Prefeitura de S.Paulo)

Major Olímpio e Giordano se conheceram há mais de dez anos. Em setembro de 2017, o senador falecido chegou a nomeá-lo secretário parlamentar na Câmara, em 2018, quando Olímpio era deputado federal pelo Solidariedade, mas a nomeação foi desfeita porque Giordano não queria deixar de ser empresário.

Entre fevereiro de 2011 a janeiro de 2013, no entanto, ele atuou como assessor parlamentar na Câmara Municipal, em São Paulo, no gabinete do ex-parlamentar tucano Aníbal de Freitas, com salário de R$ 6,3 mil. Giordano chegou a ser do PV, mas só se filiou ao PSDB em 2016, quando tentou se tornar, sem sucesso, o presidente do diretório municipal do partido em Guarulhos. Acabou saindo do PSDB no ano seguinte. Ele costuma dizer que é amigo do prefeito de São Paulo, Bruno Covas.

| Luís Indriunas integra a equipe de editores do De Olho nos Ruralistas |

Imagem principal (Facebook): Alexandre Giordano e Major Olímpio durante a posse no Senado

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