Dossiê “Os Financiadores da Boiada” ganha menção honrosa no 4º Prêmio de Jornalismo Mosca

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Iniciativa do projeto Livre.jor valoriza reportagens relacionadas ao direito à informação; relatório do De Olho nos Ruralistas aponta empresas nacionais e multinacionais que financiam bancada ruralista e projetos de lei contra a agenda socioambiental

Por De Olho nos Ruralistas

O dossiê “Os Financiadores da Boiada: como as multinacionais do agronegócio sustentam a bancada ruralista e patrocinam o desmonte socioambiental“, lançado em julho pelo De Olho nos Ruralistas, recebeu uma das duas menções honrosas no 4º Prêmio Livre.jor de Jornalismo Mosca, anunciado nesta terça-feira (15). As menções foram concedidas diante da “extrema relevância dos temas”, segundo os organizadores.

Dos 14 finalistas em 2022 do Prêmio Mosca, dois eram reportagens do De Olho nos Ruralistas. (Imagem: Divulgação)

Foram catorze reportagens finalistas do prêmio. O primeiro lugar ficou com uma série de reportagens assinadas por Juliana Dal Piva e Thiago Herdy, para o UOL, sobre a quantidade de imóveis comprados pelo clã Bolsonaro em dinheiro vivo. As reportagens que levaram o segundo e o terceiro lugar e a outra menção honrosa foram publicadas pela Folha e pelo UOL.

O observatório teve duas reportagens entre as finalistas. A outra, a rigor, foi uma série: o Dossiê Bolsonaro trouxe um conjunto de relatórios sobre o atual governo, com ênfase nos conflitos de interesses e favorecimentos ao setor privado. São eles: O Presidente das BananasIncra Máquina de VotosAmbiente SAAs Veias Abertas e Um País sobre Censura.

O projeto Livre.jor tem como base o “o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação”. “Aceitamos como baliza para essa atividade que o compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, e que devemos pautar nosso trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação”, informa o Livre.jor em seu site.

“É difícil imaginar muitos prêmios de jornalismo que reconheçam a cadeia corporativa na destruição dos biomas e do planeta”, avalia o diretor do De Olho nos Ruralistas, Alceu Luís Castilho. “Estivemos muito bem acompanhados na premiação, diante de trabalhos importantes que saíram na grande imprensa, e ficamos felizes por mostrar que a imprensa independente produz reportagens complexas, que merecem maior visibilidade”.

RELATÓRIO MOSTRA QUAIS EMPRESAS MAIS SE REUNIRAM COM MINISTÉRIO DA AGRICULTURA

“Os Financiadores da Boiada” mostrou que empresas do negócio se reuniram pelo menos 278 vezes com membros do alto escalão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em pauta, temas como a flexibilização de regras para agrotóxicos, a autorização de testes de novas substâncias químicas diretamente em campo (e não em laboratórios) e a autofiscalização sanitária.

Os dados compilados pela equipe do observatório indicam que a Syngenta, produtora de agrotóxicos, e uma das principais interessadas no PL do Veneno, foi a campeã na interlocução com o governo, com 81 reuniões; ela foi seguida por JBS, com 75; Bayer, 60; Basf, 26; Nestlé, 23; e Cargill, 13.

Reportagem apurou a quantidade de reuniões entre corporações e ministério. (Imagem: De Olho nos Ruralistas)

Foi possível também identificar que as principais empresas que integram a cadeia de financiamento do Instituto Pensar Agro (IPA), motor logístico da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), faturam juntas, por ano, mais de R$ 1,47 trilhão, um valor maior que o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal e da Finlândia juntos.

Responsável por formular as pautas legislativas e definir o posicionamento político da FPA no Congresso, o IPA recebe a contribuição direta de 48 associações do agronegócio que, por sua vez, são compostas por 1.078 empresas privadas e mais de 69 mil associados individuais — entre sojicultores, pecuaristas, usineiros e algodoeiros.

O relatório teve a coordenação de Castilho, edição de Bruno Stankevicius Bassi, pesquisas e textos de Caio de Freitas Paes, Larissa Linder, Leonardo Fuhrmann e Mariana Franco Ramos, com revisão de Luciana Buainain Jacob, infografias de Hugo Nicolau Barbosa de Gusmão, projeto gráfico de Felipe Fogaça e ilustração de capa de Renato Aroeira.

OBSERVATÓRIO PRECISA DE ASSINATURAS PARA MANTER EQUIPE

Fundado em 2016, como um projeto regular de produção de conteúdo, o De Olho nos Ruralistas é um observatório sobre o agronegócio, atento às movimentações políticas e econômicas e suas consequências destruidoras do ponto de vista socioambiental, denunciando também a violência provocada pelo projeto expansionista das grandes corporações do setor.

Os dossiês compõem um formato híbrido entre o jornalismo e o universo das pesquisas. “Sentimos uma necessidade de aprofundamento em relação ao universo das notícias, até para dar maior corpo a elas”, diz Castilho. “Existem confluências entre o conhecimento jornalístico e o conhecimento científico”.

Além de fiscalizar o poder político e econômico, a equipe do observatório está atenta ao movimento de indígenas, quilombolas e camponeses. Além das reportagens em seu site, o observatório divulga em seu canal no YouTube uma série de programas, entre eles o De Olho na Resistência, informativo sobre a resistência dos povos do campo, defensores do ambiente e da alimentação saudável.

Para manter a equipe, contamos com a colaboração de assinantes. A partir de R$ 12 por mês, você pode colaborar com nossa redação e começar a receber boletins exclusivos. Para saber mais, clique aqui.

Imagem principal (Aroreira/De Olho nos Ruralistas): capa do relatório sobre os financiadores da destruição

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