Luciano Huck diz que quer o Brasil como “a maior potência agroindustrial do planeta”

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Apontado como presidenciável, ele disse durante live com o banqueiro André Esteves que o país não precisa derrubar mais nenhuma árvore “para triplicar a produção”; apresentador alterna afagos ao agronegócio com discurso de suposta proximidade com indígenas

Por Alceu Luís Castilho

Nesta segunda-feira (03), Luciano Huck trocou mais uma vez a seção de publicidade dos jornais, espaço em que transita com desenvoltura, pelo noticiário. Durante uma live nesta segunda-feira (03) com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, proprietário de fazendas no Mato Grosso do Sul, ele disse que o Brasil tem tudo para ser “a maior potência agroindustrial do planeta”.

Descrito no vídeo como apresentador e empreendedor, Huck fez críticas à agenda ambiental do governo Bolsonaro:

— Eu fico muito triste quando você ouve pelo mundo o que está acontecendo por uma agenda equivocada, de uma mensagem equivocada, que está sendo muito mais ideológica do que realista, e atrapalhando a cadeia mais potente que a gente tem no Brasil, que é nossa agroindústria. 

“Quando você vai para o agro e cruza com a sustentabilidade”, disse ele, quando a live completou 37 minutos, “cara, você não precisa derrubar mais nenhuma árvore para dobrar a produção brasileira”. Em seguida ele fala em “triplicar”.

“Temos que romper radicalmente com essa dicotomia reducionista, com essa ideia de que existe litígio entre economia e meio ambiente”, afirmou Huck, em sintonia com uma fala preservacionista de André Esteves. “Não tem. As agendas não são antagônicas”.

A notícia da live foi dada inicialmente na noite de ontem pela Folha. A reportagem assistiu ao vídeo para detalhar a fala do apresentador.

Confira o vídeo:

EM ABRIL, ELE GANHOU AFAGO DA BANCADA RURALISTA

Apresentado nos últimos anos por imprensa e instituto de pesquisas como um presidenciável, Huck não é um convertido de última hora. Sua conexão com o agronegócio vem de longe. Sócio até o início de julho da rede de hamburguerias Madero, ele tem costurado apoios no setor.

Huck dando comida para boto na Amazônia. (Foto: Reprodução)

Durante a pandemia, ele já tinha feito elogio ao setor no dia 18 de abril, quatro dias antes da famosa reunião de Jair Bolsonaro com ministros (aquela em que quase não se falou de pandemia). O Brasil tinha menos de 3 mil mortos por Covid-19: “Luciano Huck celebra agronegócio no Twitter e ganha afago da bancada ruralista“.

“Em meio às notícias difíceis e dolorosas, vale celbrar as boas”, escreveu, no Twitter. “O Brasil dá show na produção de alimentos de novo. Da agricultura familiar aos grandes produtores, o agronegócio faz história nesta pandemia”.

Em seguida ele postou uma notícia do G1 sobre uma previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), um órgão do Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento: “Brasil deve colher safra recorde de grãos mesmo com pandemia do coronavírus, diz Conab“.

Um dos leitores brincou: “Huck é agro. Huch é pop”. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB-RS), gostou: “Eu e a @fpagropecuaria agradecemos o reconhecimento em nome de todos os produtores rurais do Brasil. O setor é a maior força econômica do país e deve ser cada vez mais valorizada”. 

APRESENTADOR BUSCA SE APROXIMAR TAMBÉM DE INDÍGENAS

Em outubro, nos Estados Unidos, Huck tentou emplacar a imagem de conciliador: participou de um evento sobre a Amazônia na Universidade de Princeton, ao lado de Almir Suruí, indígena, e de Luiz Cornacchioni, na época diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

A Abag, que representa os antigos interesses do setor, realizou nesta segunda-feira a 19ª edição de seu congresso: “Gigantes dos agrotóxicos são principais financiadores de Congresso Brasileiro do Agronegócio“.

Em 2014, acompanhado do ex-jogador Ronaldo Nazário, conhecido por Fenômeno, ele esteve no Pará para gravar um programa sobre povos indígenas isolados, da etnia Zo’é. Huck citou a visita, ontem, durante a live com André Esteves.

A bola oferecida pela dupla foi crivada por flechas. “Jurei que eles teriam uma reação diferente, mas eles queriam flechar a bola, que acabou sendo destruída”, afirmou Ronaldo.

| Alceu Luís Castilho é diretor de redação do De Olho nos Ruralistas |

Foto principal (Reprodução): Huck e Ronaldo Fenômeno ofertam uma bola para os Zo’é

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