Troca de sementes, para indígenas, significa também resgate de rituais

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Projeto Ameríndios do Brasil, de Renato Soares, que documenta as 300 etnias do país, registra também momento em que povos originários readquirem parte da diversidade perdida

O fotógrafo Renato Soares esteve no mês passado em uma feira de troca de sementes, em São Félix do Xingu (PA). Foi na Terra Indígena Kayapó. Nos anos 90, testemunhou as primeiras iniciativas nesse sentido, promovidas pelos Krahô. Em entrevista ao De Olho nos Ruralistas, ele fala sobre a importância desse tipo de evento para os povos indígenas. A troca de sementes significa também troca de culturas e resgate de rituais:

Renato Soares conta que as feiras não resgatam somente a diversidade alimentar, objetivo mais evidente, ou os remédios naturais. Mas também determinados rituais: “Como é que você vai fazer o ritual do milho se não tem o milho? Como vai fazer o ritual da batata se você não tem mais a batata?”

A 2ª. Feira Mebêngôkre de Sementes Tradicionais, na Aldeia Moikarakô, foi organizada pela Associação Floresta Protegida, reunindo especialistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Fundação Nacional do Índio (Funai) e Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).

Não é o único caso de resgate da biodiversidade. Em Pacaraima (RR), também em setembro, o Conselho Indígena de Roraima promoveu na Terra Indígena Raposa Serra do Sol a quarta edição da Feira de Sementes dos Povos Indígenas de Roraima.

A diminuição da variedade de sementes é um efeito direto das monoculturas, promovidas pelo agronegócio. O fotógrafo – que está realizando um projeto que visa fotografar as 300 etnias indígenas do país – responsabiliza também a Embrapa por esse empobrecimento. Ele conta que, no ano que vem, os Kayapó devem fazer uma feira maior, convidando grupos de outras regiões.

O relato do fotógrafo sobre troca de sementes é o terceiro e último trecho desta edição do DeOlho TV – que traz, quinzenalmente, um entrevistado para falar sobre o agronegócio e seus impactos.

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