Fazendeiro de RO escravizou os Nambiquara em 1970, diz Cruz Vermelha

In De Olho nos Conflitos, Em destaque, Povos Indígenas, Principal, Últimas
(Foto: Michel Pellanders)

Informação consta de relatórios da organização guardados por décadas, revelou o repórter Jamil Chade à Agência Pública; etnia foi vítima de madeireiros, mineradores e outros invasores

Trabalhar por um punhado de arroz. Assim era a vida dos Nambiquara em Vilhena (RO), em 1970, conforme relatórios feitos pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha entre 1965 e 1975. Os documentos ficaram parados em Genebra, nas últimas décadas, e foram revelados nesta segunda-feira (24/10) pelo repórter Jamil Chade, em texto veiculado na Agência Pública: “Documentos da Cruz Vermelha revelam massacre de indígenas na ditadura“.

“Todos são obrigados a trabalhar para o fazendeiro, uma espécie de chefe local que os mantinha mais ou menos em um estado de completa dependência, dando algum arroz de tempos em tempos e ocasionalmente alguma roupa”, informou o relatório da Cruz Vermelha, após visita à região. “As mulheres não querem engravidar, pois temem perder os filhos diante do trabalho duro que tem de fazer e do temor de não poder cuidar. O resultado eram abortos frequentes e, portanto, um estagnação na população da aldeia”.

Não é mencionado o nome do fazendeiro.

Apesar da importância histórica, a reportagem de Jamil Chade ficou parada durante seis meses no Estadão, jornal onde ele trabalha, como correspondente em Genebra. Até que decidiu veiculá-la na Agência Pública. O texto traz informações sobre a miséria e as doenças que deixavam vários povos da Amazônia “à beira do extermínio”, nos anos 60 e 70.

HISTÓRIA DE VIOLÊNCIA

Em relatório feito em 2010 para a Fundação Nacional do Índio, a antropóloga Siglia Zambrotti Doria estimou em 5,5 milhões de hectares a área original ocupada pelos Nambiquara. A história desse povo, diz ela, foi marcada pela violência dos “civilizados”, como seringalistas, jesuítas e fazendeiros.

A população atual da etnia é de 2.332 pessoas, segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena. Eles vivem em Rondônia e no Mato Grosso.

Segundo a antropóloga, a mineradora de ouro Santa Elina dizia ter 8.607 hectares na Terra Indígena Paukalirajausu, ocupada também, desde os anos 90, pelo madeireiro Sebastião Brinsky e pela família Bosok, entre outros. Em 2007, a população de Nambiquara nessa área era de 121 pessoas.

A Santa Elina pertence desde 2003 à canadense Yamana Gold.

You may also read!

Green Village: o condomínio em Interlagos onde Ricardo Nunes e amigos fazem seu “banco imobiliário”

Maçons e empresários do ramo de imóveis, grupo do prefeito tem apartamentos no local e tentáculos na prefeitura, em

Read More...

Abraji define nota da prefeitura de São Paulo como “intimidação” ao De Olho nos Ruralistas

Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo manifestou apoio ao observatório após Ricardo Nunes associar cobertura a crime de "perseguição"; reportagem

Read More...

Da irmã de Nunes ao prefeito de Embu-Guaçu: “Cobra a gente mata. Aguarde meu irmão”

Terceiro episódio da série Endereços, sobre o poder em SP, mostra acusações contra Janaína Reis; ela e a mãe

Read More...

Leave a reply:

Your email address will not be published.

Mobile Sliding Menu