Assassinato de Zé Cláudio e Maria vai a novo julgamento em dezembro

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Claudelice Santos, irmã do líder extrativista executado em 2011, pede à sociedade que se mobilize para que crime não fique impune; um dos pistoleiros fugiu da delegacia pela porta da frente

Em entrevista ao De Olho nos Ruralistas, Claudelice Santos segura as lágrimas ao falar do irmão, Zé Cláudio Ribeiro da Silva, e da cunhada, Maria do Espírito Santo, assassinados no Pará há cinco anos. O casal foi executado em maio de 2011, em Nova Ipixuna (PA). O crime vai a novo julgamento no dia 6 de dezembro, em Belém.

Haverá mobilização, desde o dia 5 de dezembro, para que o julgamento não passe em branco. A líder extrativista cobra da sociedade pressão para que não haja impunidade. “No primeiro julgamento, em maio de 2013, o mandante foi liberado”, recorda-se a irmã de Zé Cláudio. Dois dois executores, somente um está preso.

Em outubro de 2010, em depoimento ao filme “Toxic: Amazônia“, de Felipe Milanez, Zé Cláudio falava do orgulho de sua floresta, a Majestade. Era uma castanheira gigante. “Na época árvores como essa eram vendidas por R$ 50 ao madeireiro”, conta Claudelice.

Enquanto isso, o acusado de ser o mandante, o fazendeiro José Rodrigues, dizia que Zé Cláudio era um vivo-morto. Por causa de sua liderança junto aos povos extrativistas e das denúncias que fazia sistematicamente ao poder público.

Um dos executores do assassinato deixou a prisão, no ano passado, pela porta da frente. Mas como fugitivo. “A polícia não está fazendo nada”, conta Claudelice. “Nós que estamos indo atrás. Sabemos onde ele está, em Marabá. A polícia não sabe, ou não quer saber.”

MORTES ANUNCIADAS

De Olho nos Ruralistas exibiu novamente o trecho inicial do filme para Claudelice. Na época da gravação só restavam 20% da floresta nativa. “Um desastre para quem vive do extrativismo como eu, que sou castanheiro desde os 7 anos”, dizia Zé Cláudio. “Vivo da floresta, protejo ela de todos os jeitos. Por isso vivo com a bala na cabeça a qualquer hora”.

Maria do Espírito Santo falava sobre aqueles que invadiam as terras tradicionalmente ocupadas pela família: os ruralistas, madeireiros e carvoeiros. “Um consórcio”, definia ela. Famílias tiveram os barracos queimados, conta também Claudelice, com apoio da Polícia Militar de Nova Ipixuna.

O casal denunciava a tal ponto que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) era obrigado a fazer incursões contra o desmatamento, apreender motosserras. Mas os fiscais diziam aos acusados: “Olha, a gente só está vindo aqui porque denunciam”. E quem denunciava eram Zé Cláudio e Maria.

Claudelice Santos explica de onde tira a esperança: “Se a gente se acovarda, mais companheiros vão morrer. Mais companheiros vão ser tombados”. Ela convida todos a participar da mobilização em frente do Fórum, em dezembro. “Nós, como sociedade, estamos fazendo nosso papel em defender o bem comum. A gente espera que o Judiciário faça o mesmo”.

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