UOL mira no carnaval e descobre aumento de 58% das queimadas no Xingu

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Uma das ilhas do Xingu, desmatada e queimada para o enchimento do lago de Belo Monte. Fotos de Lilo Clareto / El País
Uma das ilhas do Xingu, desmatada e queimada para o enchimento do lago de Belo Monte. Fotos de Lilo Clareto / El País

Dados do Ibama, solicitados pelo portal, mostram impacto do agronegócio na região e reforçam samba-enredo de escola carioca

Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a pedido do UOL, mostra que o entorno do Parque Indígena do Xingu sofre com os incêndios florestais ligados à expansão da agropecuária – que provoca o desmatamento e a seca na região.

O portal divulgou a notícia nesta segunda-feira (07/02). Segundo o Ibama, a lavoura e a criação de pasto para gado provocaram o desmatamento da vegetação nativa da reserva localizada entre o Mato Grosso e o Pará. O calculo foi feito a partir da base de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

De acordo com o órgão, o desmatamento provoca um desequilíbrio no sistema hidrológico da região. Com uma consequência climática direta: o aumento dos períodos de seca. Esta, por sua vez, contribuí para o aumento das queimadas na região do Xingu.

Segundo o levantamento, o parque indígena registrou 93 incêndios em 2008. Eles foram aumentando nos últimos anos até saltar, em 2015, para 185 ocorrências, oscilando para 147 no ano passado.

SAMBA-ENREDO POLÊMICO

O parque Indígena do Xingu será homenageado neste carnaval pela escola carioca Imperatriz Leopoldinense. Tanto o desmatamento causado pela expansão do agronegócio quanto os efeitos da Usina de Belo Monte, serviram de mote para o enredo “Xingu, o clamor que vem da floresta”.

Os nomes das alas que atravessarão o sambódromo vão de “fazendeiros e seus agrotóxicos”, “doenças e pragas” até “olhos da cobiça”. A escola também não poupou a hidrelétrica em seus versos, como neste trecho: “O belo monstro rouba as terras dos seus filhos/devora as matas e seca os rios/tanta riqueza que a cobiça destruiu”.

Ruralistas ficaram incomodados e representantes políticos ligados ao setor reagiram. O senador ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO) afirmou que o samba-enredo “denigre a imagem do setor com calúnias generalizadas sobre a atuação da classe rural brasileira”. Ele chegou a propor a abertura de uma CPI para intimidar a escola de samba.

Índios da etnia Kamayurá, que fazem parte do Parque Indígena do Xingu, divulgaram foto em apoio à Imperatriz | Foto: Reprodução/Facebook
Índios da etnia Kamayurá, que fazem parte do Parque Indígena do Xingu, divulgaram foto em apoio à Imperatriz (Foto: Sambarazzo)

APOIO INDÍGENA

O autor do enredo, Cahê Rodrigues, comemorou na semana passada o apoio que recebeu dos indígenas representantes da etnia Kamayurá, uma das 16 que habitam a reserva. “Ter os indígenas do Xingu nos apoiando demonstra que estamos no caminho certo, que temos um tema que prega o respeito”, afirmou a O Dia.

O jornal conta que Carlos Fausto, professor de Antropologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), assessorou Cahê na criação do enredo. E achou desproporcional a reação do agronegócio: “Eles foram bastante cuidadosos. O Cahê estudou muito e não está atacando ninguém”.

O pesquisador trabalha há 20 anos no Xingu. “Estou vendo os índios morrendo de câncer por agrotóxicos”, declarou Fausto ao jornal carioca. “O que antes era um paraíso hoje é uma área contaminada”.

Foto que ilustra o texto é do Lilo Clareto e foi publicado no El País. 

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