Presidente da Embrapa nega indicação para Meio Ambiente e diz que pasta precisa de gente da área

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Maurício Lopes tem sido apontado como nome da bancada ruralista para o MMA; ministro Sarney Filho será candidato ao Senado e indicou um ambientalista para seu lugar

por Ana Carolina Amaral

“Eu não acho que um nome da Embrapa seja o mais indicado para o Ministério do Meio Ambiente”, afirmou Maurício Antônio Lopes, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ao De Olho nos Ruralistas. Ele é um dos nomes que têm circulado nos corredores em Brasília como indicação da bancada ruralista para assumir o Ministério do Meio Ambiente. O atual ministro Sarney Filho deve se licenciar no próximo dia 7 para concorrer às eleições do Senado e indicou um nome ambientalista para seu lugar, mas há pressão política para que o presidente Michel Temer coloque um representante do agronegócio no comando da pasta.

Maurício Lopes, presidente da Embrapa. (Foto: Divulgação)

Abaixo, um resumo da conversa:

De Olho nos Ruralistas – O senhor deve aceitar a pasta do Meio Ambiente?

Maurício Lopes – Isso é fake news. Eu nunca fui informado de que estaria sendo indicado.

De Olho – Se for convidado, o senhor deve aceitar?

Lopes – Não. Sou presidente da Embrapa, tenho um compromisso aqui, com a produção agrícola, com o desenvolvimento tecnológico. O Meio Ambiente deve ser assumido por alguém da área ambiental.

De Olho – Mas o senhor concorda que é visto pela bancada ruralista como um representante, alguém que poderia vencer o embate entre ruralistas e ambientalistas?

Lopes – Esse embate é muito prejudicial para todos, mas precisa ser vencido no diálogo. Precisamos reconhecer os desafios da produção agrícola, os limites ambientais, mas também os avanços, sem essa pecha de ruralista e ambientalista, que os dois lados teimam em colocar. Precisamos fazer um debate sério, com equilíbrio de forças.

De Olho – “Equilíbrio de forças” sugere um ambientalista no comando do MMA?

Lopes – Sim, alguém que domine a área ambiental e tenha capacidade de dialogar com os diferentes setores, reconhecendo também o agronegócio moderno.

De Olho – Quem representa o agronegócio moderno?

Lopes – Ele foi mostrado pelo ministro Blairo Maggi em Marrakech [na COP-22 do Clima da ONU], por exemplo.

De Olho – O ministro foi duramente criticado por falsas afirmações naquela Conferência.

Lopes – Bom, mas tem muitos avanços na produtividade e na preservação que precisam ser valorizados. Posso garantir isso como presidente da Embrapa.

De Olho – Ainda assim, o senhor não considera a Embrapa uma boa credencial para assumir o MMA?  

Lopes – Não, podem ter outras pastas mais próximas à atuação da Embrapa, mas o Meio Ambiente precisa de gente da área ambiental.

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