Trabalho escravo: estadunidense pagava R$ 230 para cortadores de eucalipto na Bahia

In De Olho no Agronegócio, Em destaque, Principal, Relações de trabalho, Últimas

Cinco trabalhadores foram resgatados no dia 16 em fazenda no município de Angical; ex-capitão do Exército dos EUA, Andrew Christopher Vallas diz ter 27 mil hectares no Brasil

Por Alceu Luís Castilho

Salário: R$ 230. Sem carteira de trabalho. Alojamento sem água, sem banheiro, sem energia elétrica. A situação flagrada no oeste da Bahia pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, no dia 16, tem um sobrenome estrangeiro envolvido (ainda que não divulgado pela operação): o de Andrew Christopher Vallas, um estadunidense que tentou a naturalização, em 2015, mas não foi localizado pela justiça brasileira.

Ele é o dono da Agropecuária Vallas, fornecedora de madeira para padarias e frigoríficos da região. Cinco cortadores de eucalipto foram resgatados no município de Angical. Eles usavam a mata como banheiro. Não possuíam equipamentos de proteção, informa o G1, embora utilizassem motosserras. Comiam carne conservada no sal.

O Ministério Público do Trabalho solicita R$ 700 mil de indenização e pede a desapropriação da terra.

Em site sobre uma de suas empresas, a soteropolitana PitaPit, Vallas diz possuir ou controlar 70 mil acres (28.328 hectares) no Brasil. Ex-capitão do Exército dos Estados Unidos, ele é casado com a brasileira Adeilma Almeida Vallas, filiada ao PRP em Campina Grande (PB).

REDE DOS EUA NO OESTE BAIANO

A cozinha dos trabalhadores resgatados. ((Fotos: Divulgação/SRTE)

Eles possuem a Agropecuária Vallas Ltda, onde foi flagrado o trabalho escravo em Angical, a Agropecuária Reflorestamento de Barreiras, nome empresarial da Fazenda Vallas 2, na vizinha Barreiras, e a PitaPit, que comercializa alimentos em Salvador. Também faz parte da sociedade em Barreiras a empresa Terra 22 LLC, de Silverton, no Colorado (EUA).

Sem a mulher, Vallas ainda é sócio de quatro empresas no Brasil. São duas serrarias em Angical (a Agropecuaria Terra E Floresta Do Brasil Ltda e a Agropecuária Beuaclair Ltda) e duas empresas de fabricação de biocombustível, também em Angical, a Agropecuária Log Ltda e a Verdant Indústria de Bio Combustível Ltda. Esta última tem como sócia a Verdant Energy Solutions Inc, dos Estados Unidos.

A Agropecuária Beuclair tem como sócio outro conterrâneo de Vallas, Shaun Basey Beauclair. A Agropecuária Terra e Floresta, por sua vez, possui entre os sócios a Brazilian Land & Forests Llc – por sua vez, sócia de outro estadunidense, David John Weihs, também sócio da serraria  e proprietário de diversas empresas e fazendas no oeste baiano.

You may also read!

Dos 50 congressistas com atuação anti-indígena, 20 foram reeleitos e 3 mantêm mandato

Autores de projetos que dificultam as demarcações, autorizam exploração dos recursos naturais em terras indígenas e beneficiam agronegócio continuarão

Read More...

Com apenas dois membros reeleitos, Frente Parlamentar da Agropecuária perde 10 cadeiras no Senado

Candidatos tradicionais ao Senado como Jucá, Waldemir Moka, Magno Malta e Benedito de Lira não conseguiram se reeleger; agora

Read More...

Primeira deputada federal indígena, Joenia Wapichana quer garantir sustentabilidade das terras tradicionais

Eleita com mais de 8 mil votos por Roraima, a primeira advogada indígena do país tem trajetória marcada pela

Read More...

Leave a reply:

Your email address will not be published.

Mobile Sliding Menu