FHC, o Fazendeiro – Imprensa: cunhada de Jovelino Mineiro é casada com Richard Civita

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Maria do Carmo Mineiro e Anna Maria de Abreu Sodré Civita são herdeiras das terras do ex-governador Abreu Sodré, donas do apartamento utilizado por Fernando Henrique em Paris

Por Alceu Luís Castilho

As famílias Abreu Sodré e Civita encontram-se no interior paulista a partir da cunhada de Jovelino Mineiro, o consultor agrário de Fernando Henrique Cardoso. Anna Maria Mellão de Abreu Sodré Civita é casada com um dos donos da Abril, Richard Civita – hoje morando nos Estados Unidos. Uma das fazendas da família, a Jamaica, já foi utilizada por mais de um governo – inclusive o de Fernando Henrique Cardoso – para receber chefes de Estado e militares.

Richard Civita, apaixonado por animais. (Foto: Reprodução/Facebook)

Apaixonado por animais, Richard Civita mudou-se para Miami, em 2016, com 12 cavalos e 78 animais domésticos. Responde, hoje, em suas empresas, por meio de um procurador, seu filho Roberto de Abreu Sodré Civita, o Bob. O site Glamurama, no UOL, informou na época que, entre os 90 cães e gatos embarcados naquela “arca de Noé 2.0”, 23 moravam com Richard em São Paulo; os demais, em sua fazenda.

O histórico da família Abreu Sodré foi decisivo na opção de Jovelino Carvalho Mineiro Filho pelas atividades agropecuárias. Saiba mais aqui: “FHC, o Fazendeiro – No famoso apartamento de Paris, o DNA da família Abreu Sodré”. Esse histórico acabou influenciando também a face agrária de Fernando Henrique Cardoso: “FHC, o Fazendeiro – De Buritis (MG) a Botucatu (SP), saiba por que Jovelino Mineiro é o braço agrário da família Cardoso”.

Esta é uma das duas reportagens sobre imprensa, na série sobre FHC. A relação entre Jovelino Mineiro, Fernando Henrique e a família Saad, dona da Band, pode ser conferida aqui: “FHC, o Fazendeiro – Imprensa: Jovelino Mineiro foi um dos fundadores do canal Terra Viva, da Band”. A série completa de reportagens sobre Fernando Henrique Cardoso, aqui: “FHC, o Fazendeiro – tudo sobre as terras da família, os amigos pecuaristas e a Odebrecht”.

De Olho nos Ruralistas está produzindo um livro sobre imprensa e questão agrária, com lançamento previsto para 2019. É uma das contrapartidas para os assinantes do observatório.

DISPUTAS JURÍDICAS E MIDIÁTICAS

Anna Maria Mellão de Abreu Sodré Civita e Maria do Carmo de Abreu Sodré Mineiro são as duas filhas do ex-governador paulista. Elas são defendidas pelo escritório de José de Oliveira Costa, que divide a diretoria da Fundação FHC – ele é um dos 12 membros não-vitalícios – com Luciana Cardoso, a filha do meio de Fernando Henrique Cardoso.

O escritório Costa, Mello Advogados, na Rua Peixoto Gomide, no bairro dos Jardins, em São Pauol, é responsável também por causas envolvendo o pecuarista Jovelino Mineiro e suas empresas – como aqueles relativos à Fazenda Sant’Anna, multiplicada em municípios de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. E também a família Abreu Sodré.

Processo sobre Picasso envolve Anna Maria Mellão e Jovelino Carvalho Mineiro. (Imagem: Reprodução)

Descrevemos em outro texto da série uma disputa jurídica relativa a um quadro atribuído a Pablo Picasso: “FHC, o Fazendeiro – Emílio Odebrecht, Jovelino Mineiro e advogado de FHC compõem a direção do Masp“. Quem aparece naquela disputa é exatamente Anna Maria de Abreu Sodré Civita.

O famoso “apartamento de FHC” em Paris – utilizado hoje pelo filho caçula de Fernando Henrique, Artur Dutra – sempre pertenceu, segundo o próprio ex-presidente, à viúva do ex-governador, Maria do Carmo Pinho Mellão de Abreu Sodré, mãe de Anna Maria Abreu Sodré Civita e Maria do Carmo Abreu Sodré Mineiro.

O escritório de Costa tem a responsabilidade de acompanhar o inventário da viúva e, consequentemente, a partilha para as filhas: “FHC, o Fazendeiro – Sócios em empresa, Emílio Odebrecht e Jovelino Mineiro já foram representados em assembleia pelo advogado de FHC”.

ENTRE OS MELLÃO, BRIDGE COM JUSTUS E SAFRA

Maria do Carmo Mineiro é uma das integrantes do Conselho Fiscal da Artesol, Organização Social de Interesse Público fundada pela antropóloga Ruth Cardoso. Ela também se apresenta como fundadora da organização. Na lista de associados da Artesol aparecem sobrenomes conhecidos da aristocracia paulistana, como o do político tucano Andrea Matarazzo e o da nonagenária Renata Cunha Bueno Mellão – irmã de Maria do Carmo Mellão.

Um dos filhos de Renata Mellão apareceu em uma reportagem da revista Época, de 2004, sobre doleiros. O caso envolvia até o presidente do Banco Central à época, Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato a presidente pelo MDB. Um doleiro no centro de São Paulo movimentara US$ 195 milhões, a partir de um escritório frequentado por gente com muito dinheiro. O pecuarista Eduardo Cunha Bueno Mellão teria remetido US$ 400 mil aos Estados Unidos. Mas negou: “Não tenho contas no exterior”.

Prima de Eduardo Mellão (e de Maria do Carmo Mineiro), Anna Maria Civita costumava jogar um carteado na Associação Paulistana de Bridge, nos Jardins, em São Paulo. Ali são realizadas competições – entre amadores – todas as tardes. A Veja SP informou, em 2009, que entre os frequentadores assíduos estavam Janos Justus, pai do publicitário Roberto Justus, e o banqueiro bilionário Moise Safra – falecido em 2014, irmão de Joseph Safra. Anna Maria disputou até torneios internacionais.

CIVITA DEPÔS EM CPI SOBRE HOTÉIS NO NORDESTE

Casado com Anna Maria, o empresário Richard Civita – um dos filhos de Victor Civita, o fundador da Abril – não teve tanta visibilidade como o irmão, Roberto Civita, morto em 2013. Ele é o responsável pela Editora Nova Cultural, a antiga Abril Cultural, empresa com capital social de R$ 55 milhões. É também o sócio da Cefrilog Serviços e Participações, nome atual da Quatro Rodas Empreendimentos Turísticos.

CPI investigou hotéis da Abril no Nordeste. (Imagem: Reprodução)

Os hotéis Quatro Rodas – que levam o mesmo nome da revista da Abril – foram construídos no Nordeste com incentivos fiscais da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Após uma reportagem do Estadão, no início dos anos 80, foi criada no Congresso uma CPI para investigar o uso desses recursos. Não deu em nada.

Entre os filhos de Anna Maria Mellão e Richard Civita estão Roberto e Ricardo Abreu Sodré Civita. Está em nome dos três a empresa Jamaica Agricultura e Pecuária Ltda, em Arandu (SP), na estrada entre os municípios de Avaré – quartel-general da família Abreu Sodré – e Cerqueira César.

UM DOS FILHOS CASOU-SE COM HERDEIRA DA SUZANO

Richard Civita e o filho Bob têm uma paixão em comum (a mesma do avô de Bob, o ex-governador Roberto de Abreu Sodré): cavalos. Especialmente os da raça quarto de milha. Foram os dois que criaram, por exemplo, Maravilha Moon, uma pura alazã nascida em 1991. (O observatório não conseguiu descobrir se ela ainda está viva e se foi uma entre os doze equinos que embarcaram para Miami com Civita, em 2016. A rigor, o proprietário era Bob.)

Bob Civita (não confundir com o tio homônimo) casou-se em 2002 – em um casarão no Jardim América – com Nina Sander, filha de Lisabeth Guper Sander – dona de 5,42% da Suzano Celulose. Isso foi em maio. Em dezembro daquele mesmo ano um dos controladores da empresa, David Feffer (18% das ações), participaria do jantar, no Palácio Alvorada, destinado a angariar fundos para o instituto – hoje fundação – Fernando Henrique Cardoso.

ENCONTRO DE MILITARES NUMA FAZENDA PRIVADA

Argentino ficou impressionado com cafezal. Imagem: Reprodução)

Bob Civita é o dono do Haras Pirata, na Fazenda Jamaica, em Arandu. Foi nessa fazenda que, em 1995 (primeiro ano do governo FHC), as cúpulas das Forças Armadas do Brasil e da Argentina se encontraram – como informa o próprio Fernando Henrique no primeiro volume de seu “Diários da Presidência”. O fim de semana foi monitorado por Maria do Carmo de Abreu Sodré Mineiro – então filha do dono, o ex-governador Roberto de Abreu Sodré.

No dia 08 de abril de 1988, os presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín também se encontraram ali, na fazenda de 2 mil alqueires (ou 4.840 hectares). Abreu Sodré era o ministro das Relações Exteriores. O Jornal do Brasil relatou que o presidente argentino assistiu naquele dia a um desfile de 4.500 touros e 1450 cavalos. Era a primeira vez’ que ele via um cafezal – e esse tinha 1,5 milhão de pés de café. Alfonsín resumiu: “Estou impressionado”.

DO OUTRO LADO DOS CIVITA, REVERÊNCIA A FHC

Quase 30 anos depois, em janeiro, o jornalista Paulo Moreira Leite analisou a reverência que Roberto Civita – o irmão de Richard – tinha por Fernando Henrique Cardoso. A descrição está na biografia que o colega Carlos Maranhão fez do dono da Abril: “Civita – O dono da banca”. Em 1994, eleito FHC, Civita folheou a Veja devagar, “saboreando na primeira olhada as linhas gerais das matérias sobre a vitória do candidato – o seu candidato”.

Maranhão contou que, em 2001, Roberto Civita registrou da seguinte forma – entre o latim e o inglês – uma ligação telefônica que ele recebera do presidente e o contexto em que ela ocorreu: “Coitus interruptus: FHC phone call”.

LEIA A SÉRIE COMPLETA:
“FHC, o Fazendeiro – tudo sobre as terras da família, os amigos pecuaristas e a Odebrecht”.

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