Alckmin teve líder do Endireita Brasil como secretário de Meio Ambiente, mas não quer “politização” na área

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Candidato tucano aproximou-se do agronegócio ao escolher como vice a senadora gaúcha Ana Amélia, do PP, mas fraco desempenho eleitoral motiva migração para Bolsonaro

Por Leonardo Fuhrmann

Candidato do PSDB à Presidência da República, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin afirma, em seu programa de metas, que vai evitar a “politização” e a visão de “curto prazo” na questão ambiental, que teriam pautado os debates ambientais nos últimos anos. Seu governo, diz, seria “firme e técnico” na questão ambiental.

A proposta não é baseada na experiência de Alckmin à frente do governo paulista por quatro mandatos. Entre 2016 e 2017, ele manteve como seu secretário de Meio Ambiente o advogado Ricardo Salles, um dos fundadores do movimento Endireita Brasil. O secretário-adjunto era Antônio Velloso Carneiro, ligado ao mesmo grupo.

Com Salles: é para politizar o ambiente ou não? (Foto: Alexandre Carvalho/Divulgação

Salles havia sido secretário particular de Alckmin entre 2013 e 2014. Era filiado ao PP, partido da base aliada do governador. Ele pediu demissão por pressão do próprio partido, em razão do desgaste provocado pelas denúncias de improbidade administrativa. Salles se tornou réu sob a acusação de ter alterado ilegalmente o zoneamento da proposta de plano de manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê.

O ex-secretário também foi acusado de ter dado andamento à negociação de imóvel do Instituto Geológico, na capital, apesar de parecer contrário da sua consultoria jurídica e de fazer um chamamento público para a concessão para a venda de 34 áreas do Instituto Florestal sem autorização legislativa. Ele também era alvo de críticas de pesquisadores e por ambientalistas por não levar em conta aspectos técnico-científicos para tomar decisões e por fazer nomeações políticas para chefias de unidades de conservação.

Candidato a deputado federal pelo partido Novo na eleição deste ano, Salles recebeu críticas do próprio partido em razão de seu material de campanha. No cartaz, aparece uma imagem de munição de uma arma e faz menção a ser contra “a esquerda e o MST”, a “bandidagem no campo”, os “roubos de trator, gado e insumos” e a “praga do javali”.

POLÍTICO PERDE APOIO ENTRE RURALISTAS

Ana Amélia, a vice do PP, representa o agronegócio. (Imagem: Baptistão)

Antes de Salles, o atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas, também foi secretário de Meio Ambiente de Alckmin. Nesta campanha, o ex-governador escolheu como vice a senadora Ana Amélia Lemos (PP). O objetivo foi, além de fortalecer sua campanha na região Sul, fazer um aceno para a bancada ruralista, à qual ela é ligada.

Apesar de abrir espaço para o setor em sua chapa, Alckmin tem perdido apoio entre os ruralistas em função do fraco desempenho eleitoral. O candidato do PP gaúcho ao Senado, Luis Carlos Heinze, anunciou seu apoio a Jair Bolsonaro no primeiro turno. Vice de Antonio Anastasia na disputa ao governo de Minas Gerais, o deputado federal ruralista Marcos Montes (PSD) já cogita o apoio a Bolsonaro nesta fase da eleição.

Outro nome importante na bancada ruralista, o deputado mato-grossense Nilson Leitão, líder do PSDB na Câmara já afirmou que vai encaminhar um apoio do partido ao candidato do PSL em um eventual segundo turno. Montes e Leitão foram os últimos presidentes da Frente Parlamentar da Agropecuária, antes da atual líder, deputada Tereza Cristina (DEM-MS).

Em seu programa de governo, sucinto, Alckmin promete uma transformação do plano de safra em plano plurianual, para garantia de paz e segurança jurídica no campo e consolidação dos programas de seguro agrícola e rural. O tucano defende os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável como parâmetro, com atenção especial para o bioma amazônico, políticas afirmativas para as populações negra e indígena e políticas especiais para o desenvolvimento pleno das regiões Norte e Nordeste.

SÉRIE TRAZ PROPOSTAS DOS CANDIDATOS

De Olho nos Ruralistas tem publicado reportagens sobre os programas de governo dos candidatos à Presidência da República. A série também traz referências ao histórico dos presidenciáveis em relação à questão agrária – seja do lado dos povos do campo, seja do lado do agronegócio.

O observatório também está veiculando reportagens sobre os candidatos ao Congresso, a partir da atual lista dos membros da FPA, na série De Olho na Bancada Ruralista. São mais de 30 reportagens, pelo menos uma por Unidade da Federação.

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