Presidente do WWF tergiversa ao falar de empresas e do setor agrícola

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Em entrevista ao Valor, equatoriana Yolanda Kakabadse evita bater de frente com o poder econômico; uma das principais organizações ambientalistas do mundo, WWF recebe dinheiro do setor privado

Bem que a repórter do Valor Econômico tentou. Mas a equatoriana Yolanda Kakabadse, presidente do WWF, não se dispôs a enfrentar o poder econômico, em entrevista de uma página ao jornal. Ela apostou em enunciados genéricos e de perspectiva conciliadora, com frases como: “Todos os partidos terão que ter uma pauta verde”. Ou: “Temos que mudar hábitos de produção e consumo”.

A repórter Daniela Chiaretti – especialista em ambiente – fez uma pergunta específica sobre o setor agrícola brasileiro, que teria incorporado o discurso de que é preciso proteger o ambiente. “Em muitos casos é só discurso”, observou Daniela. A resposta de Yolanda não diz uma linha sobre o setor agrícola: ela prefere falar da escassez de água como oportunidade para educar a população.

Em outro momento a repórter volta à carga, referindo-se ao Cerrado, visto pelo setor agrícola como um bioma que serve apenas para produzir, e não como algo a ser preservado. A presidente do WWF informa que a ONG tem pouca capacidade institucional para atuar na área agrícola. “Trabalhamos muito com comunidades locais onde é fácil demonstrar o uso da água, de não destruir a floresta”, afirmou.

Ou seja: caberia à população às mudanças. No máximo ela diz que o pecuarista pode produzir carne gastando menos água.

Daniela observa que o WWF trabalha com empresas, ao contrário de outras ONGs. A equatoriana responde: “Para nós o setor privado é tão importante quanto os governos. As forças de mercado são enormes, e é enorme o potencial que têm de fazer o bem e o mal. Nossa mensagem é para todo o setor privado e a aliança são com empresas responsáveis”. (Alceu Luís Castilho)

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