JBS tolera 10% de terras de fornecedores em UCs e áreas indígenas

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(Foto: Rogério Assis/Greenpeace)

Informação consta de relatório da própria empresa, que tem compromisso de não comprar de quem tenha grilado, explorado trabalho escravo ou tenha terras em áreas de conservação na Amazônia

Por Alceu Luís Castilho

Não se trata de informação de terceiros. Do Ministério Público Federal, ou de alguma organização socioambiental. E sim da própria JBS. O maior frigorífico do mundo conta, em um relatório sobre os cuidados tomados para não adquirir carne de fornecedores beneficiários de situações de violência e desmatamento na Amazônia, que admite incidência de 10% das terras desses parceiros em Unidades de Conservação (UCs) ou terras indígenas.

JBS, Minerva e Marfrig assinaram há sete anos um compromisso público, junto ao Greenpeace, com o Desmatamento Zero. As empresas se comprometem a verificar – e tornar públicas as verificações –  a compra de gado em fazendas envolvidas com desmatamento, trabalho escravo, invasão de terras indígenas e Unidades de Conservação. No fim de setembro, elas divulgaram o resultado da terceira verificação anual: “Frigoríficos publicam teste de eficiência no controle de desmatamento na Amazônia“.

O relatório da JBS pode ser conferido aqui. O da Minerva, aqui. O da Marfrig, aqui.

Vejamos um trecho do relatório da JBS, a dona da Friboi, maior financiadora de campanhas políticas em 2014:

No caso das propriedades consideradas como “aprovada”, parâmetros técnicos são levados em consideração no monitoramento geoespacial das propriedades, como por exemplo, a tolerância de 10% da área em sobreposição parcial das fazendas fornecedoras com Terras Indígenas ou Unidades de Conservação Ambiental. Este parâmetro é aplicado por possíveis diferenças de escalas entre os mapas oficiais de Unidades de Conservação Ambiental e Terras Indígenas, além dos mapas georreferenciados das fazendas fornecedoras. Esse parâmetro técnico está previsto no Termo de Referência para Auditorias de Terceira Parte 2016 (ano base 2015) do “Compromisso Público da Pecuária”.

Está lá, na página 9. A empresa está dizendo, literalmente, que tolera 10% da área das fazendas fornecedoras de carne “em sobreposição parcial das fazendas fornecedoras com Terras Indígenas ou Unidades de Conservação Ambiental”.

Sob o argumento de “parâmetros técnicos”. Relacionados a “possíveis diferenças de escalas entre mapas”.

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