Esplanada da Morte (XV) — Um genocida em cem atos: cem momentos violentos de Jair Bolsonaro

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Relembre situações em que o presidente minimizou a gravidade da pandemia, celebrou a morte e mostrou desprezo a populações vulneráveis, em especial indígenas e quilombolas; ele responde em Haia a denúncias por crimes contra a humanidade

Por Mariana Franco Ramos

Não são gafes, nem tampouco frases isoladas. São demonstrações públicas que retratam uma forma de pensar, um jeito, um projeto de governar. Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, em 11 de março, que o mundo vive uma pandemia do novo coronavírus, não foram poucas as vezes em que Jair Bolsonaro evidenciou não apenas despreparo para lidar com a situação, mas também desapreço pelas vidas perdidas.

Antes das eleições de 2018, ele já tinha manifestado todo o seu racismo ao medir quilombolas em arrobas, dizer que descendentes de negros escravizados não servem nem para procriar, mandar líder indígena “comer capim” e anunciar que não demarcaria nem um centímetro a mais de terra. Os ataques se estendem a mulheres e à população LGBTQIA+, entre outros setores vulneráveis.

De março a junho deste ano, ele provocou aglomerações em Brasília, ao participar de protestos contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) e ao visitar comerciantes. Ignorando as recomendações das autoridades sanitárias, também circulou sem máscara, discursou contra o isolamento e cumprimentou apoiadores.

Na esteira da série Esplanada da Morte, De Olho nos Ruralistas reúne cem declarações emblemáticas, aliadas a comportamentos que resumem a necropolítica do presidente. Mais do que ataques verbais, são registros históricos que evidenciam por que ele responde por crimes contra a humanidade.

ATAQUES AOS DIREITOS HUMANOS VÊM DE LONGE

“Eu sou favorável à tortura. Tu sabe disso. E o povo é favorável a isso também”

“Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, se um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil, começando com o FHC, não deixar para fora não, matando! Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente”.

“Sou a favor, sim, de uma ditadura, de um regime de exceção, desde que este Congresso dê mais um passo rumo ao abismo, que no meu entender está muito próximo”.

“Não há a menor dúvida. Daria golpe no mesmo dia. No mesmo dia! O Congresso hoje em dia não serve para nada”.
(‡ 23/05/1999, Programa Câmera Aberta, TV Bandeirantes)

“Eu sou favorável à pena de morte. Acho que o fuzilamento é uma coisa até honrosa para certas pessoas”
(‡ 14/02/2000, IstoÉ Gente)

‘ESSE ÍNDIO DEVERIA COMER UM CAPIM ALI FORA’

Sobre o líder indígena Jacinaldo Barbosa, que lhe atirara um copo d’água:

“É um índio que está a solto aqui em Brasília, veio de avião, vai agora comer uma costelinha de porco, tomar um chope, provavelmente um uísque, e quem sabe telefonar para alguém para a noite sua ser mais agradável. Esse é o índio que vem falar aqui de reserva indígena”.

“Ele devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens”.
(‡ 14/05/2008, audiência pública na Câmara dos Deputados)

Pulsão de morte sem pudores é uma das características centrais do presidente. (Foto: Reprodução)

“Isso (ter um filho gay) nem passa pela minha cabeça, porque eu dei uma boa educação. Fui um pai presente, então não corro esse risco”.
(‡ 04/04/2011, Programa CQC, TV Bandeirantes)

“Quem usa cota, no meu entender, está assinando embaixo que é incompetente. Eu não entraria num avião pilotado por um cotista. Nem aceitaria ser operado por um médico cotista”.
(‡ 04/04/2012, Programa CQC, TV Bandeirantes)

“Os direitos humanos no Brasil só defendem bandidos, estupradores, marginais, sequestradores e até corruptos”.
(‡ 09/12/2014, Câmara dos Deputados)

“Fica aí, Maria do Rosário, fica. Há poucos dias, tu me chamou de estuprador, no Salão Verde, e eu falei que não ia estuprar você porque você não merece”.

“Se eu um dia tiver o mandato de presidente, o pessoal da Anistia Internacional não vai mais interferir na vida interna do nosso país”.
(‡ 05/10/2015, vídeo)

“Eu acho que a polícia brasileira tinha que matar é mais. Violência se combate com violência”.
(‡ 05/10/2015, vídeo)

“Eu não empregaria [mulheres e homens] com o mesmo salário. Mas tem muita mulher que é competente”.
(‡ 15/02/2016, entrevista à apresentadora Luciana Gimenez, RedeTV!)

“Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff. O meu voto é sim”.
(‡ 17/04/2016, votação do impeachment de Dilma Rousseff, Câmara dos Deputados)

“O erro da ditadura foi torturar e não matar”
(‡ 08/07/2016, Programa Pânico, Rádio Jovem Pan; ele já tinha feito a mesma afirmação em 2008, no Clube Militar do Rio)

“Somos um país cristão. Não existe essa historinha de Estado laico, não. O Estado é cristão. Vamos fazer o Brasil para as maiorias. As minorias têm que se curvar às maiorias. As minorias se adequam ou simplesmente desaparecem”.
(‡ 15/02/2017, evento em Campina Grande, na Paraíba)

‘QUILOMBOLA NEM PARA PROCRIAR SERVE MAIS’

“Fui num quilombo em Eldorado Paulista. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais. Mais de um bilhão de reais por ano é gasto com eles”.

“Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou quilombola”

“Foram quatro homens, na quinta, dei uma fraquejada e veio uma mulher”

“O pessoal aí embaixo [manifestantes] eu chamo de cérebro de ovo cozido. Não adianta botar a galinha, porque não vai sair pinto nenhum. Não sai nada daquele pessoal”.

“Alguém já viu um japonês pedindo esmola por aí? Porque é uma raça que tem vergonha na cara. Não é igual essa raça que tá aí embaixo ou como uma minoria tá ruminando aqui do lado”.

“Se eu chegar lá, não vai ter dinheiro pra ONG. Esses inúteis vão ter que trabalhar”.

“No que depender de mim, todo cidadão vai ter uma arma de fogo dentro de casa”.
(‡ 5/4/2017, Clube Hebraica, no Rio de Janeiro)

“Policial que não mata não é policial”.
(‡27/11/2017, jornal O Globo)

“Que dívida histórica é essa que temos com os negros? Eu nunca escravizei ninguém na minha vida. O negro não é melhor do que eu, e nem eu sou melhor do que o negro”

“Se for ver a história realmente, os portugueses nem pisavam na África, eram os próprios negros que entregavam os escravos”.
(‡ 31/7/2018, Roda Viva, TV Cultura)

DURANTE A CAMPANHA, FALOU EM ‘FUZILAR A PETRALHADA’

“Conosco não haverá essa politicagem de direitos humanos. Essa bandidada vai morrer porque não enviaremos recursos da União para eles”.
(‡ 23/8/2018, ato de campanha em Araçatuba, São Paulo)

“Ele (policial) entra, resolve o problema. Se matar dez, 15 ou 20, com dez ou 30 tiros cada um, ele tem que ser condecorado e não processado”.
(‡ 28/8/2018, Jornal Nacional, TV Globo)

“Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre. Vou botar esses picaretas para correr do Acre. Já que gosta tanto da Venezuela, essa turma tem que ir para lá”.
(‡ 3/9/2018, evento de campanha em Rio Branco, Acre)

“Isso não pode continuar existindo. Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Vamos acabar com isso”.
(‡ 23/10/2018, TV Cidade Verde, afiliada do SBT no Piauí)

“A criação de campos de refugiados, talvez, para atender aos venezuelanos que fogem da ditadura de seu país”.

“Do jeito que estão fugindo da fome e da ditadura, tem gente também que nós não queremos no Brasil”.
(‡ 24/11/2018, cerimônia militar no Rio de Janeiro)

ELEITO PRESIDENTE, ATACOU GAYS E NORDESTINOS

Sobre o holocausto:
“Podemos perdoar, mas não esquecer”
(‡ 12/04/2019, encontro com líderes evangélicos no Rio de Janeiro)

“Brasil não é paraíso gay, mas quem quiser vir fazer sexo com mulher, fique à vontade”.
(‡ 24/04/2019, Palácio do Planalto, em café da manhã com jornalistas)

Sobre reforma da Previdência, em referência ao ministro Paulo Guedes:
“Se for uma reforma de japonês, ele vai embora. Lá (Japão), tudo é miniatura”.
(‡24/05/2019, evento em Petrolina, Pernambuco)

“Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira. Passa-se mal, não come bem. Aí eu concordo. Agora, passar fome, não”.
(‡ 19/07/2019, Palácio do Planalto)

“Daqueles governadores de… ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara”.
(‡ 19/07/2019, antes de café com a imprensa no Palácio do Planalto, em fala captada pela TV Brasil)

Sobre a importância da questão ambiental:
“Só aos veganos que comem só vegetais”.

“Se quiséssemos fazer uma maldade, cometer um crime, nós iríamos à noite ou em um fim de semana qualquer na baía de Angra e cometeríamos um crime ambiental, que não tem como fiscalizar”.

“Eu tenho conversado com índios, eles não querem viver como homens pré-históricos dentro das suas propriedades, eles querem em um primeiro momento energia elétrica”.

“O índio é um ser humano igual a nós. Não é para ficar isolado em uma reserva como se fosse um zoológico”.
(‡ 27/07/2019, evento do Exército no Rio de Janeiro)

“O Hélio vai para a China comigo. Eu falei: ‘Se der algum problema, é só você fazer assim [puxando as pálpebras para os lados] que ninguém vai te achar na multidão”.

“Com o dinheiro que eu ganhava, que eu pescava em média uma, duas vezes por semana, às vezes até três, arrastando rede de meia-noite até seis da manhã, nas praias do rio Ribeira de Iguape, pegando aí o que vocês conhecem como cascudo, né… Era um cascudo mais branco, mais encorpado um pouquinho, tirava palmito do mato também. Hoje eu estaria preso, né. Crime ambiental.

“Pegava maracujá também, um pretinho, doce, coisa maravilhosa, da cor do Hélio Negão, vem cá Negão… Da cor do Hélio assim, da cor da careca do Hélio”.
(‡ 10/10/2019, live nas redes sociais)

‘CADA VEZ MAIS O ÍNDIO É UM SER HUMANO IGUAL A NÓS’

“Qual o nome daquela menina lá, lá de fora? Tabata, como é? Greta. Já falou que índios estão morrendo porque estão defendendo a Amazônia. Impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí, uma pirralha”.
(‡ 10/12/2019, Palácio da Alvorada; a ativista Greta Thunberg havia criticado a morte de indígenas da etnia guajajara no Maranhão)

Não é só Bolsonaro que faz arminhas; ele tem apoio para sua necropolítica. (Foto: Reprodução)

“O preço da carne subiu. Nós temos de criar mais bois aqui, para diminuir o preço da carne. Eles podem criar bois”. 

“Já tivemos problema no pelotão de fronteira do Exército. Chega o índio picado de cobra. Não deixava ser atendido e o índio morria. Não queriam que os outros índios vissem que nós poderíamos curar alguém picado de cobra. Qual era a intenção disso? Deixar as terras virgens, intactas, para serem exploradas no futuro por outros povos”.
(‡ 19/12/2019, Palácio da Alvorada; Bolsonaro se dirigia a indígenas que o acompanhavam)

“Esse livro dessa japonesa, que eu não sei o que faz no Brasil, que faz agora contra o governo”.
(‡ 16/1/2020, live no Facebook; sobre a jornalista Thaís Oyama, brasileira, que é autora do livro “Tormenta – O governo Bolsonaro: Crises, intrigas e segredos”)

“Com toda a certeza, o índio mudou. Está evoluindo. Cada vez mais o índio é um ser humano igual a nós”.
(‡ 23/1/2020, live nas redes sociais)

E VEM A PANDEMIA: CURVA DE MORTES ACOMPANHA NEGACIONISMO

‡ 25 CASOS ‡
“Tem a questão do coronavírus também que, no meu entender, está superdimensionado, o poder destruidor desse vírus”.
(‡ 9/3/2020, Miami, Estados Unidos)

‡ 34 CASOS ‡
“Obviamente, temos no momento uma crise, uma pequena crise. No meu entender, muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propala ou propaga pelo mundo todo”.
(‡ 10/3/2020, Miami, Estados Unidos)

‡ 200 CASOS ‡ 
“Não podemos entrar em uma neurose como se fosse o fim do mundo. Outros vírus mais perigosos aconteceram no passado e não tivemos essa crise toda. Com toda certeza há um interesse econômico nisso tudo para que se chegue a essa histeria”.
(‡ 15/03/2020, CNN Brasil, após atos pró-governo)

‡ 234 CASOS ‡ 
“Eu não vou viver preso no Palácio da Alvorada por mais cinco dias com problemas grandes para serem resolvidos no Brasil. Essa é a minha posição. Agora, se eu decidi apertar a mão do povo – escute aqui, eu não convoquei o povo a ir às ruas -, isso é um direito meu. Afinal de contas, eu vim do povo.”
(‡ 16/03/2020, Programa Brasil Urgente, de José Luiz Datena, TV Bandeirantes)

‡ 291 CASOS; 1 MORTO ‡
“O que está errado é a histeria, como se fosse o fim do mundo. Uma nação como o Brasil só estará livre quando certo número de pessoas for infectado e criar anticorpos”.
(‡ 17/03/2020, Rádio Super Tupi)

“A Itália é uma cidade… É um país parecido com o bairro de Copacabana, onde cada apartamento tem um velhinho ou um casal de velhinhos. Então são muito mais sensíveis, morre mais gente”.

“Tem locais, alguns países que já tem saques acontecendo. Isso pode vir para o Brasil. Pode ter um aproveitamento político em cima disso”.
(‡ 17/03/2020, Palácio da Alvorada)

‡ 529 CASOS; 4 MORTOS ‡ 
“Não se surpreenda se você me ver no metrô lotado em São Paulo, numa barcaça no Rio. É um risco que um chefe de Estado deve correr. Tenho muito orgulho disso”.
(‡ 18/03/2020, Palácio do Planalto)

‡ 904 CASOS; 11 MORTOS ‡
“Depois da facada, não vai ser gripezinha que vai me derrubar, não, tá ok? Se o médico ou o Ministério da Saúde recomendar um novo exame, eu farei. Caso contrário, me comportarei como qualquer um de vocês aqui presentes”.
(‡ 20/03/2020, coletiva de imprensa com o então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta)

‡ 2.271 CASOS; 47 MORTOS ‡
“Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria acometido, quando muito, de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico, daquela conhecida televisão”.
(‡ 24/03/2020, pronunciamento na TV)

‡ 2.988 CASOS; 77 MORTOS ‡ 
Sobre hidroxicloroquina: “Aplica logo, pô”.  “Sabe quando esse remédio começou a ser produzido no Brasil? Ele começou a ser usado no Brasil quando eu nasci, em 1955. Medicado corretamente, não tem efeito colateral”.
(‡ 26/03/2020, live nas redes sociais)

“O povo foi enganado esse tempo todo sobre o vírus. O que tinham que falar é que o vírus virá. Ninguém discute isso. Infelizmente, vai ter que enfrentar. Vamos procurar salvar o máximo de vidas, preparando os hospitais, máscaras etc. Isso está sendo feito”.

Sobre o exame de Covid-19: “Para que você quer saber? Você dorme comigo? Pelo amor de Deus… Eu estou bem. Tranquilo. Já pensou que prato cheio para a imprensa se eu estivesse infectado? Não estou”.

“O pânico é uma doença e isso foi massificado quase que no mundo todo e no Brasil não foi diferente”.
(‡ 26/03/2020, Palácio do Planalto)

“O brasileiro tem de ser estudado, não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto ali, sai, mergulha, tá certo? E não acontece nada com ele. Eu acho até que muita gente já foi infectada no Brasil, há poucas semanas ou meses, e ele já tem anticorpos que ajuda a não proliferar isso daí”.
(‡ 26/03/2020, Palácio da Alvorada)

‡ 3.417 CASOS; 92 MORTOS ‡
“Se for todo mundo com coronavírus, é sinal de que tem estado que está fraudando a causa mortis daquelas pessoas, querendo fazer um uso político de números (…) Em São Paulo não estou acreditando nesses números”.
(‡ 27/03, Palácio do Planalto)

‡ 4.309 CASOS; 129 MORTOS ‡ 
“Essa é uma realidade, o vírus tá aí. Vamos ter que enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, porra. Não como um moleque. Vamos enfrentar o vírus com a realidade. É a vida. Tomos nós iremos morrer um dia”.
(‡ 29/03/2020, TV Globo, em Brasília)

‡ 12.239 CASOS; 566 MORTOS ‡ 
“Há 40 dias venho falando do uso da hidroxicloroquina no tratamento do Covid-19. Cada vez mais o uso da cloroquina se apresenta como algo eficaz”.
(‡ 06/04/2020, redes sociais)

‘CADA FAMÍLIA TEM QUE BOTAR O VOVÔ E A VOVÓ LÁ NO CANTO’

‡ 16.195 CASOS, 822 MORTOS ‡
“Quem tem abaixo de 40 anos tem que se preocupar pra não transmitir o vírus pros outros. Mas pra ele, pra sua vida, é quase zero esse risco. Devemos, sim, cada família cuidar dos mais idosos. Não pode deixar na conta do Estado. Cada família tem que botar o vovô e a vovó lá no canto e é isso. Evitar o contato com eles a menos de dois metros. E o resto tem que trabalhar, porque tá havendo uma destruição de empregos no Brasil”.
(‡ 08/04/2020, programa Brasil Urgente, do Datena, TV Bandeirantes)

Político alia discurso religioso à banalização da morte. (Foto: Reprodução)

‡ 19.943 CASOS, 1.074 MORTOS ‡
“Ninguém vai tolher meu direito de ir e vir”.
(‡ 10/04/2020, a jornalistas, na saída de uma farmácia em Brasília)

‡ 22.169 CASOS, 1.223 MORTOS ‡

“Parece que está começando a ir embora essa questão do vírus, mas está chegando e batendo forte a questão do desemprego”.
(‡ 12/04/2020, live com líderes religiosos)

‡ 36.925 CASOS, 2.372 MORTOS ‡
“Não tem que se acovardar com esse vírus na frente”.
(‡ 18/04/2020, live nas redes sociais)

‡ 39.144 CASOS, 2.484 MORTOS ‡
“Os estados estão quebrados. Falta humildade para essas pessoas que estão bloqueando tudo de forma radical”.
(‡ 19/04/2020, Palácio do Planalto)

‡ 40.581 CASOS, 2.575 MORTOS ‡
“Ô, ô, ô, cara. Quem fala de… eu não sou coveiro, tá…”
(‡ 20/04/2020, Palácio do Planalto)

‡ 71.886 CASOS, 5.017 MORTOS ‡
“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”.

“Lamento a situação que nós atravessamos com o vírus. Nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos, que a grande parte eram pessoas idosas. Mas é a vida. Amanhã vou eu”.

(‡ 28/04/2020, Palácio da Alvorada)

‡ 135.773 CASOS, 9.190 MORTOS ‡
“Estou cometendo um crime. Vou fazer um churrasco no sábado aqui em casa. Vamos bater um papo, quem sabe uma peladinha, alguns ministros, alguns servidores mais humildes que estão do meu lado”?
(‡ 07/05/2020, Palácio da Alvorada)

‡ 203.165 CASOS, 13.999 MORTOS ‡
“Tem que reabrir, nós vamos morrer de fome. A fome mata, a fome mata! Então, o apelo que eu faço aos governadores: revejam essa política, eu estou pronto para conversar”.

Sobre comparações com a Argentina: “É só você fazer a conta por milhão de habitantes”.

(A taxa da Argentina, que registrou 353 mortes, era de 8 mortes por um milhão, enquanto a do Brasil era de 66) (…) “Você pegou um país que está caminhando para o socialismo”.
(‡ 14/05/2020, Palácio da Alvorada)

“Não precisa dessa gana toda para conter a expansão [do coronavírus]. Conter por um tempo, porque o vírus vai atingir pelo menos 70% da população. Essa maneira radical de proporcionar lockdown… Eu não falo inglês, como é? Lockdown. Não dá certo, e não deu certo em lugar algum do mundo”.

(‡ 14/05/2020, live nas redes sociais)

‡ 233.511 CASOS, 15.662 MORTOS ‡
“O desemprego, a fome e a miséria será o futuro daqueles que apoiam a tirania do isolamento total”.
(‡ 16/05/2020, Twitter)

‡ 310.921 CASOS, 20.082 MORTOS ‡
“Tem que se cuidar. Eu estou com 65 anos e tenho que cuidar de mim mesmo, da minha mãe que está viva. E toca o barco. É a vida, é a realidade. Morre muito mais gente de pavor do que do ato em si. Então o pavor também mata, leva ao estresse, ao cansaço, a pessoa não dorme direito, fica sempre preocupada, pensando: ‘se esse vírus pegar vou morrer'”.

Sobre cloroquina: “Sabemos que não tem comprovação, mas tem muitos relatos médicos. Muitos hospitais particulares têm receitado. Eu sei que não sou médico, mas temos que dar uma esperança”.
(‡ 21/05/2020, live com apoiadores)

‘SE MORRER NO MEIO DO CAMPO, URUBU VAI COMER’

‡ 332.382 CASOS, 21.116 MORTOS ‡
“Lamento as mortes, mas é a realidade. Todo mundo vai morrer aqui. Não vai sobrar nenhum aqui… E se morrer no meio do campo, urubu vai comer ainda”.

“Pra que levar o terror junto ao povo? Todo mundo vai morrer. Quem tiver uma idade avançada e for fraco, se contrair o vírus, vai ter dificuldade. Quem tem doenças, comorbidades, também vai ter dificuldades. Esse pessoal que tem que ser isolado pela família, o Estado não tem como zelar por todo mundo, não”.

“Ninguém está zombando com mortes não. É a realidade. Agora pouco ligou um colega do Rio de Janeiro: ‘minha mãe acabou de falecer’. É a nossa vida. Daqui a pouco é natural, né, a minha mãe de 93 anos vai embora. É a vida. É a vida, porra. Não façam teatro em cima disso”.

“É a mesma coisa a cloroquina, quem não quiser, que não tome, mas não enche o saco de quem quer tomar. Tome o que quiser. Aí ficam uns idiotas: ‘Ah, não tem comprovação científica’. Eu sei que não tem”.
(‡ 22/05/2020, Palácio do Planalto)

‡694.116 CASOS, 36.602 MORTOS ‡
“Lembro à Nação que, por decisão do STF, as ações de combate à pandemia (fechamento do comércio e quarentena, por exemplo) ficaram sob total responsabilidade dos governadores e dos prefeitos”.
(‡ 08/06/2020, Twitter)

‡772.416 CASOS, 39.680 MORTOS ‡
”Cobre do seu governador” (a uma mulher que o questionava sobre o número de mortos).
(‡ 10/06/2020, Palácio da Alvorada)

‡869.956 CASOS, 43.396 MORTOS ‡
“Não temos informações que qualquer pessoa tenha falecido por falta de UTI ou de respiradores. Abastecemos estados e municípios com recursos”.
(‡ 15/06/2020, Bandnews TV)

‡1.111.348 CASOS, 51.407 MORTOS ‡
Sobre pagar mais duas parcelas do auxílio emergencial, de R$ 600: “Não podemos deixar que o efeito colateral do tratamento da pandemia seja mais danoso do que a própria pandemia. Vida e emprego, uma coisa está completamente atrelada à outra”.
(‡ 22/06/2020, Canal Agro+, TV Bandeirantes)

‡1.626.071 CASOS, 65.556 MORTOS ‡
“Fiz uma chapa do pulmão. Está limpo o pulmão, tá certo? Vou fazer o exame do Covid agora, mas está tudo bem”.(‡ 06/07/2020, Palácio da Alvorada)

‡1.674.655 CASOS, 66.686 MORTOS ‡
“Vamos tomar cuidado, em especial com os mais idosos e que têm comorbidade. Os mais jovens, tomem cuidado, mas se forem acometidos do vírus, fiquem tranquilos que para vocês a possibilidade de algo mais grave é próximo de zero”.

“O que eu posso falar para todo mundo aqui? Esse vírus é quase como, eu já dizia no passado e era muito criticado, era como uma chuva. Vai atingir você, né? Alguns, não. Alguns têm que tomar um maior cuidado com esse fenômeno, por assim dizer”.
(‡ 07/07/2020, TV Brasil)

“Usar máscara é coisa de viado”.
(‡ 07/07/2020, a funcionários, segundo a colunista da Folha Mônica Bergamo)

Atendimento da prefeitura de Manaus à Covid-19: “Vidas indígenas importam”. (Foto: Semcom)

‡1.887.959 CASOS, 72.921 MORTOS ‡
“Estou muito bem. Tive um pequeno problema na segunda-feira, com temperatura de 38 graus, um pouco de febre e mal estar, canseira e um pouco de dor no fundo dos olhos. Fui medicado às 17h. Tomei hidroxicloroquina, devidamente prescrita pelo médico. No dia seguinte já estava bom, como estou até hoje”.
(‡ 13/07/2020, CNN Brasil)

‡2.075.246 CASOS, 78.817 MORTOS ‡
“Se não temos alternativa, vamos com a hidroxicloroquina (…) Não perturbem quem quer tomar a cloroquina”.
( 18/07/2020, Palácio da Alvorada)

‡2.613.789 CASOS, 91.377 MORTOS ‡
“Acabei de fazer um exame de sangue, né, tava com um pouco de fraqueza ontem. Acharam um pouco de infecção também. Tô agora no antibiótico, deve ser… Depois de 20 dias aí dentro de casa a gente pega outros problemas, né? Peguei mofo aí, mofo no pulmão, talvez, deve ser”.
(‡ 30/07/2020, live nas redes sociais)

‡2.666.298 CASOS, 92.568 MORTOS ‡
“Eu estou no grupo de risco. Eu nunca negligenciei, eu sabia que um dia ia pegar, como infelizmente, eu acho que quase todos vocês vão pegar um dia. Têm medo do que? Enfrenta. Lamento. Lamento as mortes, tá certo. Morre gente todo dia de uma série de causas e é a vida. Minha esposa agora tá, depois de quase um mês que peguei o vírus, ela pegou”.
(‡ 31/7, Evento em Bagé, Rio Grande do Sul)

‡2.917.562 CASOS, 98.644 MORTOS ‡
“Vamos chegar a 100 mil mortes, mas vamos tocar a vida”.
(‡ 06/08/2020, Live no Facebook)

BRASIL PASSA DE 120 MIL MORTES POR COVID-19

Bolsonaro foi denunciado, em 26 de julho, pela quarta vez ao Tribunal Penal Internacional (TPI), estabelecido em Haia, na Holanda, e já entrou para a história por promover ataques sistemáticos a povos e comunidades tradicionais. A queixa foi protocolada por uma coalizão de cinquenta organizações nacionais e estrangeiras, a maioria delas ligadas a trabalhadores da saúde.

As postagens em redes sociais, os pronunciamentos e as frases proferidas em entrevistas mostram alguém ainda alheio ao que acontece na nação que diz governar. Pior: empenhado em manter um discurso negacionista, ancorado em mentiras ou fake news e de consequências devastadoras para o país que é hoje epicentro mundial da pandemia.

Após negar ter contraído a doença em diversas oportunidades, ele próprio afirmou que foi infectado em 7 de julho e que se recuperou dias depois tomando hidroxicloroquina. Usado para combater enfermidades crônicas como o lúpus, o medicamento não tem eficácia comprovada contra o vírus e ainda pode provocar diversos efeitos colaterais.

Nesta semana, o Brasil ultrapassou a marca de 115 mil mortos em decorrência da Covid-19 e da forma como Bolsonaro e sua Esplanada da Morte lidam com a maior crise sanitária do século.

O presidente, contudo, estava mais preocupado em imitar Massaranduba, o personagem de Casseta & Planeta que tinha um objetivo fixo: dar porrada.

“Minha vontade é encher tua boca na porrada”.

(‡ 23/08/2020, a um repórter do jornal O Globo, que perguntou sobre cheques no valor de R$ 89 mil depositados por Fabrício Queiroz e sua esposa na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro) 

Mariana Franco Ramos é repórter do De Olho nos Ruralistas |

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Esplanada da Morte (III): Deboche de Damares esconde ataques a povos vulneráveis
Esplanada da Morte (IV) — Ernesto Araújo internacionaliza negacionismo e ódio
Esplanada da Morte (V) — Por que Ricardo Salles e sua “boiada” continuam passando?
Esplanada da Morte (VI) — Onyx Lorenzoni tem trajetória anti-indígena e pró-frigorífico
Esplanada da Morte (VII) — Não é só Weintraub que odeia “o termo” povos indígenas
Esplanada da Morte (VIII) — Por exportações, Tereza Cristina minimiza surtos em frigoríficos
Esplanada da Morte (IX): Eduardo Pazuello, o ministro das 100 mil mortes, é o gestor da matança
Esplanada da Morte (X): Mandetta esteve em ataque a terra demarcada que terminou com morte de indígena
Explanada da Morte (XI): militar comanda secretaria que assiste a massacre de indígenas por Covid-19
Esplanada da Morte (XII): Sérgio Camargo ignora as mortes quilombolas por Covid-19
Esplanada da Morte (XIII) — Ministro da Justiça ignora invasão de terras indígenas na pandemia
Esplanada da Morte (XIV) — Militares levam Covid-19 à Amazônia, mas recusam termo “genocídio”

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