Inauguração de empresa contou com presença de Horacio Cartes. (Foto: Governo do Paraguai.)

A inauguração do complexo industrial da Villa Oliva Rice, empresa do brasileiro Washington Umberto Cinel, contou em março de 2017 com a presença do presidente paraguaio, Horacio Cartes – que deixou o cargo neste mês. O poder de Cinel no país está diretamente associado às iniciativas empresariais de seu amigo João Doria Junior, prefeito de São Paulo por 15 meses e candidato do PSDB ao governo paulista.

Também no ano passado, Doria inaugurou o Lide Paraguay, destinado a reunir os empresários paraguaios mais ricos e a fazer lobby para investimentos de empresários brasileiros no país, entre eles os do agronegócio. O lançamento em Assunção se deu em harmonia com o governo administrado pelo Partido Colorado – com quem o grupo articula parcerias público-privadas.

Dois anos antes, em 2015, Cinel esteve no Palácio do Governo com Cartes para tratar da expansão do arroz no Paraguai, mais especificamente no departamento de Ñeembucú, no sudoeste do país. De quebra, ele e outros empresários acenaram com plantio de cana de açúcar – a previsão é de um plantio de 100 mil hectares – no distrito de Bella Vista, departamento de Amambay, na fronteira do sul.

Cinel é a face internacional da segurança do Lide. (Imagem: Lide)

Fornecedora das marcas Guacira e Camil (por sua vez, dona da argentina La Loma Alimentos), a Villa Oliva Rice possui entre 17 mil hectares e 20 mil hectares no Paraguai, 6 mil deles irrigados para o arroz. Parcela significativa numa produção nacional que atinge 150 mil hectares. “O Paraguai tem uma economia consolidada e é um país que facilita os negócios”, declarou Cinel à Dinheiro Rural.

Essa expansão tem um custo. Moradores de Villa Oliva denunciam o desvio do curso de rios e o uso intensivo de glifosato nas plantações, com prejuízo para a população e para o ambiente, em meio aos humedales de Ñeembucú. Há também denúncias de desvio do curso de rios e de apropriação, pela empresa, de um reservatório de água de uso comum.

O PODER DO LIDE NO PARAGUAI

Quem é esse empresário que seduz o Partido Colorado e desafia o reinado brasileiro da soja e da pecuária no país vizinho?

No Brasil seria mais verossímil Cinel se encontrar com políticos graúdos para tratar de segurança. Amigo de Doria, esse antigo policial militar – formado na Academia do Barro Branco, durante a ditadura, nos anos 70 – comanda a Gocil, empresa de vigilância privada que se define como, mais do que uma empresa de segurança e serviços, “uma empresa brasileira”. Mas será que ele é mesmo tão nacionalista assim?

Colorados recebem Lide de braços abertos. (Foto: Governo do Paraguai)

Cinel é o gestor internacional do Lide Segurança. A deferência de Doria na escolha não é para todo mundo. Quem está à frente dos gestores do Lide Global é gente graúda do tucanato e arredores empresariais: Celso Lafer, Luiz Fernando Furlan (que também estava na viagem aos Emirados Árabes Unidos), Roberto Klabin. Quem pilota o Lide Agronegócio é o ex-ministro Roberto Rodrigues, ideólogo do setor.

A proximidade entre Cinel e Doria passa pela captação de recursos para campanhas eleitorais. Em 2016, candidato eleito para a prefeitura de São Paulo, Doria promoveu jantares para empresários. O Ministério Público Eleitoral chegou a abrir procedimentos, diante da hipótese de propaganda eleitoral antecipada. Um dos eventos promovidos por “amigos de João Doria”, um jantar no Club A, contou com a voz da italiana Mafalda Minnozzi. No convite estavam o email e o telefone da Gocil.

Do outro lado da fronteira os interesses de Doria e Cinel também se confundem. No Paraguai, quem preside o Conselho de Infraestrutura do Lide é o presidente da Villa Oliva Rice, Ignacio Heisecke. O jovem participou em março de uma das mesas do Diálogo Público Privado, um evento organizado – com igualdade na divulgação, como se vê ao lado – pelo Lide e pelo governo paraguaio. Heisecke tem experiência no tema: a Villa Oliva recebe incentivo do governo a partir da Lei de Alianza Público-Privada.

Produção de arroz impacta recursos hídricos. (Foto: Divulgação/Facebook)

No ano passado foi realizado o primeiro encontro do Lide no Paraguai, com a presença de Doria. O site local do grupo foi espontâneo ao informar como dele fazer parte: “Para que os empresários possam aderir a este clube, unicamente habilitado para milionários, necessitam faturar anualmente cerca de US$ 15 milhões. Devem doar US$ 4.500 anuais. O Lide só admitirá membros por convite e os líderes devem pertencer às cem maiores empresas do Paraguai”.

A AFIRMAÇÃO COMO ARROZEIRO

Pecuarista do lado brasileiro, Washington Umberto Cinel possui empresas de arroz dos dois lados da fronteira. No Brasil ele tem apostado mesmo no arroz: comprou neste ano a Broto Legal, de Campinas (SP), detentora das marcas Báltico, Broto Legal, Grão de Campo e Serra Azul. A previsão de faturamento específico dessa empresa – com capital social de R$ 50 milhões – é, até 2023, de R$ 2 bilhões.

A atuação como arrozeiro em Uruguaiana (RS) é mais antiga, com a Cinel Alimentos, Comércio, Importação e Exportação S.A, a Itaobi Importação e Exportação de Cereais Ltda e a Elah Agrobusiness Agropecuária Ltda. Em São Paulo, ainda mais antiga, pois ele contou (em entrevista a Doria) ter tido a primeira máquina de beneficiamento de arroz quando era adolescente – antes de se tornar um policial.

Em 2014, no Rio Grande do Sul, a Cinel Alimentos e a agência de fomento gaúcha, a Badesul, assinaram um protocolo de investimento de R$ 27 milhões em uma agroindústria de arroz com geração de energia limpa, a partir da casca do cereal. (Paradoxalmente, a produção paraguaia, com menor custo de produção, é apresentada por arrozeiros gaúchos como uma das responsáveis pela crise no setor.)

DA POLÍCIA AO TRÂNSITO POLÍTICO

Mas foi à frente da Gocil Segurança e Serviços, fundada em 1985 em Bauru (SP), que Washington Cinel ganhou notoriedade e fortuna. Uma das contas que a Gocil teve, por exemplo, foi a do Metrô. Outra foi com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU). O capital social de suas empresas, em 2018, supera R$ 550 milhões.

A mansão de Cinel em SP: prosperidade. (Foto: Reprodução)

“Sempre prezei amizades, relacionamentos”, disse o empresário em entrevista à Band, sobre o início com apenas sete vigilantes. Ele aplicou a máxima à circulação entre os poderosos. Em 2014, seu vizinho Paulo Maluf – o deputado em prisão domiciliar por corrupção – apostou com Cinel uma caixa de vinho francês que Dilma Rousseff seria eleita no primeiro turno. O arrozeiro levou a bolada.

Sua casa no Jardim América é uma das mais valorizadas do país. Ela tem uma história controversa. Pertencia a Ricardo Mansur, o antigo dono do Mappin e da Mesbla, que comprara de José Ermírio de Moraes, da Votorantim. As duas empresas faliram e deixaram credores, mas ele vendera pouco antes a casa por US$ 1,6 milhão – embora a transação não tenha documentos – a uma offshore no Uruguai. Uma juíza anulou o negócio.

Cinel morava lá por um aluguel de R$ 15 mil. Em 2004, seus seguranças agrediram um fotógrafo da Folha. Em 2015, ele arrematou o imóvel de 3 mil metros quadrados na Rua México, 663 (altura da Rua Costa Rica) em leilão judicial, por R$ 39 milhões. Ele disputou os lances com Carlos Alberto Mansur, que controlava a Vigor, irmão de Ricardo Mansur. Com isso adquiriu a sexta mansão mais cara do país. (A quinta? De Doria. A sétima? De Maluf.)

Para quem diz ter começado como engraxate, na infância, Cinel deu um salto e tanto. O livro onde o empresário conta essa história, “Empreendendo para Servir”, lançado naquele ano de 2015, foi prefaciado por Doria. “Não importam os valores materiais, mas sim os espirituais”, escreveu o político para o amigo. “Esse é o princípio que rege a existência do fundador da Gocil”.

CONTATOS: DE MORO A TEMER

No mesmo ano, Doria e Cinel participaram de um evento no Lide com o juiz Sergio Moro, conhecido pela Operação Lava Jato, e com o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, deputado Fernando Capez (PSDB). Esse foi motivo para uma das representações movidas contra Moro, no caso por seis deputados do PT e dois do PCdoB, que alegaram suspeita de parcialidade do juiz. O jantar foi patrocinado por Cinel.

Empresário (à dir.) bancou jantar de Doria para Moro. (Foto: Alesp)

Ainda em 2015, a mansão do empresário recebeu seis deputados estaduais, entre eles o presidente da Assembleia, Fernando Capez, e um deputado federal (Vanderlei Macris, ex-presidente da Casa) para o apoio à candidatura de Doria por deputados e por dirigentes do partido ligados ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) – hoje candidato à Presidência da República. O futuro prefeito foi a estrela do jantar.

Mas não que ele se articule somente com tucanos. Dois anos antes, em 2013, lá estava Cinel em missão empresarial com o vice-presidente Michel Temer, em viagem para os Emirados Árabes Unidos. A convite de uma empresa, a automobilística alemã Audi, numa comitiva chamada Audi Business Trip – apoiada pela Gocil e pela BRF Foods, entre outros. Com os ministros do Trabalho, da Previdência Social, todos sob a liderança de Doria, como presidente do Lide.

Não foi a única vez que o empresário esteve com Temer. Em 2010, esteve com o então candidato a vice-presidente na Câmara Portuguesa de Comércio, com mais três representantes da Gocil. Três anos depois, um ano antes da reeleição de Dilma Rousseff, Doria recebeu Michel Temer para jantar. Entre os presentes, empresários como Flávio Rocha (Riachuelo), André Esteves (BTG Pactual), Jorge Gerdau. E Cinel.

Ainda em 2013, o empresário e Temer estiveram, em São Paulo, na comemoração das bodas de ouro do advogado José Yunes, amigo do presidente desde os anos 60 – preso pela Polícia Federal em março. Yunes também estava no jantar na casa de Doria. Assessor especial da Presidência em 2016, ele é acusado de participar de irregularidades – que teriam passado pela Presidência da República – no setor portuário.

NO PARAGUAI, PROTESTOS

A empresa de Washington Cinel no Paraguai fica em um local conhecido como Puerto Victoria. A população de Villa Oliva denuncia a apropriação, pela empresa arrozeira, de uma área de 220 hectares cedida desde 1956 para uso comum. A reportagem do ABC Color esteve no local em agosto de 2017 para acessar a área, antes utilizada para lazer. Mas foi barrada, ao tentar passar pela Estância Don Miguel – propriedade em nome de Ignacio Heisecke.

Foi na Estância Don Miguel que Horacio Cartes inaugurou a fábrica da Villa Oliva Rice, no ano passado.

Segundo a pesquisadora Lorena Izá Pereira, da Universidade Estadual Paulista (Unesp – Presidente Prudente), o departamento de Ñeembucú tem-se tornado um território de conquista do agronegócio. Ela observa que, em 2009, o Banco Mundial iniciou estudos de potencial hídrico na Bacia do Rio Tebícuary. Em seguida a empresa estadunidense Desarrollo del Sur iniciou a produção de arroz na bacia, no departamento vizinho.

Moradores protestam contra impactos das arrozeiras. (Foto: Base-IS)

A Desarrollo del Sur é ligada à Companhia Agrícola Ganadera Heisecke, da família de Ignacio Heisecke – o presidente da Villa Oliva e representante do Lide Empresarial no Paraguai.

Esse avanço da Villa Oliva Rice não ocorre sem resistência. Por causa das fumigações com glifosato, a senadora Esperanza Martínez (Frente Guazú) pediu que não se renovasse a licença ambiental para a empresa. Entre os efeitos dos agrotóxicos, relatam os vizinhos, estaria a morte de cervos do pântano, espécie ameaçada de extinção.

Por conta de toda essa somatória, moradores da comunidade de Zanjita apresentaram em agosto do ano passado denúncias à Comissão de Direitos Humanos do Congresso e à Coordenadoria de Direitos Humanos do Paraguai. Eles apontaram violações de direitos (à saúde, à alimentação, ao ambiente) e declararam a Villa Oliva Rice “empresa no grata”.

O REINO DA GOCIL EM SP

Cinel prosperou muito depois que deixou a polícia. A Gocil Segurança e Serviços se apresenta como a maior empresa do mercado brasileiro de terceirização de seguranças, com mais de mil clientes. Entre os clientes privados estão shoppings (12 somente na lista dos principais), grandes redes (Pernambucanas, Magazine Luiza), bancos (Bradesco, Credit Suisse) e empresas do agronegócio, como Raízen, Suzano e Nestlé.

O site da empresa não coloca ênfase nos clientes públicos. O único listado é a Secretaria Municipal de Educação, em São Paulo. Em 2014, o Estadão obteve, em primeira mão, os resultados de uma concorrência para serviços de conservação em escolas da rede. Uma hora e meia antes do início do pregão eletrônico. Entre as 15 empresas vencedoras estava a Gocil, que ficou com o lote 6. Nos anos 90, houve polêmica com a CDHU.

Em 2015, o deputado estadual Raul Marcelo (PSOL) fez um requerimento ao secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos para que ele informasse por que, diante dos débitos da Gocil com o INSS, no valor de R$ 700 milhões, a empresa continuava participando de licitações da Companhia Metropolitana do Metrô:

– Se as certidões foram expedidas em São Paulo, como a empresa Gocil consegue contratar com a Companhia sem a apresentação das certidões negativas?

OS INVESTIMENTOS EM PECUÁRIA

Brangus: Cinel comprou touros dos Tellechea. (Foto: Reprodução)

Em paralelo a esse reinado peculiar no setor de serviços, Washington Cinel foi afirmando seu pé na pecuária. O salto de qualidade ocorreu em 1998, quando ele fundou a Brangus Brasil Agropecuária. Para isso importou do Texas um reprodutor de nobre linhagem: o Sureway’s Mr Ideal 121E. Em 2015, buscou matrizes na Argentina e no Paraguai – compradas em parceria com João Francisco Tellechea e Ricardo Bastos Tellechea.

Os valores nesse mercado são altos. Em 2008, em leilão promovido pela Cabanha Catanduva, em Cachoeira do Sul (RS), Cinel arrematou por R$ 120 mil – ao som da Orquestra de Câmara do Teatro São Pedro, de Porto Alegre – a fêmea Catanduva TE 270 Pájara TE 213 1851 e, por R$ 104 mil, a fêmea Santa Maria 588 Handford TCB Ruth B12TE. A Catanduva Orquídea Catal 455 Larkaba TE 248 (os nomes não são exatamente fofos) ficou bem mais barata, por R$ 20 mil.

Cinel começou a apostar na pecuária já nos anos 80, com uma fazenda na região do Rio Xingu, no Mato Grosso. Hoje ele possui fazendas de gado em Bauru (SP), seu quartel general desde a infância, São Manuel e Pederneiras (SP) e, assim como as empresas de arroz, no Rio Grande do Sul, em Barra do Quaraí. Ele é considerado um dos maiores criadores da raça Brangus – aquela que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também criou e vendeu.

Em Botucatu (SP), onde FHC passou duas fazendas na beira do Rio Pardo para o nome dos filhos, Cinel produz, como ele, cana de açúcar. Vende para a Raízen (R$ 8 milhões por ano) e para a Usina São Manoel (R$ 11 milhões por ano). A Fazenda Sobrado, na vizinha São Manuel, registrada em nome da Agrocin Agropecuária, já realizou leilão de Brangus.

A Cinel Alimentos, em Uruguaiana, em nome dele e da mulher Claudia Isabel Luciano Cinel, tem filiais nas fazendas Mancha Verde – ele é palmeirense – e Touro Passo, no mesmo município. As fazendas do empresário em dois municípios gaúchos – são nove imóveis em Uruguaiana e dois em Alegrete – somam pelo menos 7 mil hectares.

DA GLOBO AO TERRA VIVA

Tamanho poder acumulado pelo empresário não poderia passar totalmente à margem da imprensa. Washington Cinel foi um dos fundadores do canal Terra Viva, hoje totalmente nas mãos da Band, de Johnny Saad. Um dos sócios mais conhecidos era o pecuarista Jovelino Mineiro, o amigo mais próximo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Outro era o pecuarista José Carlos Bumlai – mais um denunciado e preso na Operação Lava Jato.

Cinel em entrevista ao amigo e apresentador João Doria. (Foto: Reprodução)

Em 2012 a Band tinha 32,25% do canal, especializado em agronegócio e vitrine das fazendas e leilões dos proprietários. Uma empresa de Mineiro tinha 27,75%. Outra empresa, do grupo português Espírito Santo (que já foi um dos maiores proprietários de terra do Paraguai), 10%. A mesma porcentagem da Pecuária Damha, de uma das empresas de Bumlai e da W/Realty Assessoria e Serviços Empresariais, de Cinel. A sociedade durou até 2015.

Naquele mesmo ano de 2012, Doria levava mais uma vez líderes empresariais para a Alemanha, novamente patrocinado pela Audi, na Audi Business Trip. Dessa vez Cinel não estava. Johnny Saad (sócio de Cinel numa empresa de software), sim. Michel Temer, também. Outro integrante da trupe era Rodrigo Rocha Loures, o ex-assessor presidencial flagrado com R$ 500 milhões em uma mala – entregue por outro personagem da série De Olho no Paraguai, Ricardo Saud.

A história recente da Band passa também por João Doria. À frente do programa Show Business, em 2015, quem o jornalista – empresário, político – entrevistou? Washington Cinel. Confiram aqui. Doria exaltou o passado dele como engraxate e mascate, perguntou qual o faturamento da Gocil (passara de R$ 1 bilhão) e entabulou um papo amigo. Entre as histórias, aquela de como Cinel se tornou um empresário da segurança.

E essa história passa pela maior emissora do país. Cinel entrou em 1976 na Academia da Polícia Militar do Barro Branco, em São Paulo. Tornou-se segundo-tenente e voltou para Bauru, no interior. Um dia, como relata reportagem da Exame, foi atender uma ocorrência na retransmissora local da Globo, hoje TV TEM. Isso em plena ditadura, apoiada pela emissora:

– Um cara tinha tentado explodir a rede de transmissão. Veio gente do Exército, da Polícia Civil, da Federal. Fui, representando a Militar. Foi quando recebi uma proposta da Globo para tomar conta do edifício.

Seu chefe disse que ele poderia aceitar o trabalho, desde que fosse por um ou dois meses. Diante da notoriedade do cliente, prosperou.